O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma reviravolta neste domingo (16) ao anunciar que apoia uma votação na Câmara dos Representantes para a divulgação de mais arquivos relacionados ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, apesar de sua oposição anterior à medida.
O caso Epstein tem se tornado um ponto de divisão dentro do Partido Republicano e afastou Trump de alguns de seus aliados mais leais no movimento Make America Great Again (MAGA). A Câmara deve examinar esta semana uma proposta de lei que obrigaria o Departamento de Justiça a publicar todos os arquivos do processo contra o financista nova-iorquino, que morreu na prisão antes de ser julgado.
Defesa de Trump
Alguns críticos acusavam o presidente de querer impedir a votação para ocultar elementos que o implicariam no caso, algo que ele nega veementemente. Em sua plataforma Truth Social, Trump declarou:
"Os republicanos da Câmara deveriam votar pela divulgação dos arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder."
Trump, que na sexta-feira havia acusado os democratas de promoverem a "farsa de Epstein", lamentou no domingo que alguns congressistas de seu partido estivessem sendo "usados" para apoiar a iniciativa da oposição. "Alguns 'membros' do Partido Republicano estão sendo 'usados', e não podemos permitir que isto aconteça", escreveu.
Ele finalizou seu posicionamento com desafio: "O Comitê de Supervisão da Câmara pode ter tudo o que lhes corresponde legalmente, NÃO ME IMPORTO!".
E-mails polêmicos e envolvimento de políticos
A pressão pela divulgação dos arquivos aumentou após o surgimento de e-mails de Epstein que mencionam Trump. Nos documentos, revelados na semana passada, o financista sugeria que Trump "sabia sobre as garotas" e que teria passado horas com uma das vítimas em sua casa.
Os e-mails também revelaram mensagens com Larry Summers, ex-assessor econômico de Barack Obama e ex-presidente de Harvard, além de indicarem que o ex-presidente democrata Bill Clinton frequentou o círculo do financista nas décadas de 1990 e 2000. Trump, por sua vez, exigiu que a procuradora-geral Pam Bondi e o FBI investiguem os vínculos de Epstein com Clinton e Summers.
Apelo das vítimas e dúvidas sobre a morte
As vítimas sobreviventes de Epstein enviaram uma carta na sexta-feira aos congressistas americanos na qual pediam a divulgação integral dos arquivos. "Aqui não há meio-termo. Não há lugar para se esconder atrás da filiação partidária", afirma o texto.
Epstein, condenado por crimes sexuais, cometeu suicídio em sua cela em agosto de 2019, segundo as autoridades. Sua parceira, Ghislaine Maxwell, cumpre pena de 20 anos de prisão pelo mesmo crime, atuando como recrutadora de menores. O FBI e o Departamento de Justiça anunciaram há meses que não poderiam divulgar mais documentos sem comprometer testemunhas-chave.
Uma parcela de americanos e políticos, tanto de direita quanto de esquerda, continua a acreditar que Epstein foi assassinado para evitar que mencionasse o envolvimento de outras personalidades de alto escalão no escândalo.