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Trump ordena investigação adicional do FBI sobre Kavanaugh nos EUA

Democratas pediram a ação sobre as acusações de Christine Blasey Ford, de 51 anos, de que o juiz tentou estuprá-la em 1982

Kavanaugh recebeu o aval do Comitê Judicial do Senado
Kavanaugh recebeu o aval do Comitê Judicial do Senado Foto : Emma McIntyre / Getty Images / AFP / CP
Sob uma crescente pressão nas fileiras republicanas, Donald Trump ordenou na ultima sexta-feira uma investigação do FBI sobre o seu indicado à Suprema Corte dos Estados Unidos, acusado de agressão sexual, atrasando uma aguardada votação do Senado sobre a confirmação do juiz Brett Kavanaugh. O juiz conservador aceitou cooperar com a investigação, em uma semana na qual a sua indicação à mais alta instância jurídica americana esteve rodeada de uma intensa polêmica.

A decisão marca um fim, após um dia de intensa luta e viradas no Capitólio em torno da confirmação do juiz Kavanaugh, de 53 anos, e deixa sua entrada no tribunal na incerteza. Os democratas pediram a investigação do FBI sobre as acusações de Christine Blasey Ford, de 51 anos, que diz que Kavanaugh tentou estuprá-la quando os dois eram estudantes em 1982. Seu depoimento aos senadores comoveu grande parte dos americanos na quinta-feira, enquanto outros tomaram partido do juiz, em um país profundamente polarizado. Brett Kavanaugh negou categoricamente todas as acusações.

"Ordenei ao FBI que realize uma investigação suplementar para atualizar o arquivo do juiz Kavanaugh. Como o Senado solicitou, esta atualização deve ter alcance limitado e ser concluída em menos de uma semana", disse Trump em um comunicado. As investigações serão "limitadas a acusações plausíveis" apresentadas contra o juiz conservador, anunciou o Comitê Judicial do Senado. Finalmente, um senador republicano foi fundamental para o voto - Jeff Flake -, que conseguiu forçar a abertura de uma investigação.

Os republicanos têm uma maioria no Senado de 51 cadeiras, contra 49 dos democratas, pelo qual qualquer baixa é crítica. Mas Jeff Flake, um senador moderado e muito crítico de Donald Trump, pareceu nesta tarde condicionar seu voto final a favor de Kavanaugh, mas antes a investigação deveria ser feita.

Seguir o devido processo

Nesta sexta, Kavanaugh recebeu o aval do Comitê Judicial do Senado, cujos 21 membros votaram estritamente de acordo com a sua filiação política - os 11 republicanos a favor e os 10 democratas contra -, para recomendá-lo à votação no plenário da Câmara alta do Congresso. Mas antes de votar "sim", o republicano pediu a abertura de uma investigação. "Este país está sendo destruído", afirmou Flake, um republicano moderado e crítico de Trump. "E temos que nos assegurar de que sigamos o devido processo aqui", continuou.

O que está em jogo é crucial. Com várias acusações de agressão sexual, mas também profundamente enraizado na direita, Kavanaugh poderia inclinar a balança para o lado conservador na Suprema Corte, cujos juízes são nomeados pela vida toda. Agora corresponde ao líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, decidir o cronograma.

A votação do Comitê foi realizada em meio a um clima de forte tensão política. Furiosos, vários democratas deixaram a sala, como sinal de protesto. O Senado tem a palavra final sobre as indicações presidenciais à Suprema Corte, que decide sobre os temas sociais mais complexos, como o direito ao aborto, o casamento homossexual e a regulação das armas de fogo.

Minha agressão não conta?

Há um grande suspense pelo voto de alguns senadores, que poderiam impulsionar a confirmação de Brett Kavanaugh. Entre eles está Flake, que havia anunciado nesta sexta-feira de manhã que votaria "sim", antes de ser atacado nos corredores do Senado por mulheres indignadas. "Você está me dizendo que a minha agressão não conta, que o que aconteceu comigo não conta e que você está deixando que as pessoas que fazem essas coisas cheguem ao poder", disse uma delas, enquanto dezenas de manifestantes também se reuniram na Suprema Corte.

Visivelmente afetado, e após as reuniões com seus companheiros democratas e republicanos, finalmente pediu que o voto final seja atrasado até que realizem a investigação sobre as acusações contra o juiz. Pelo lado dos democratas, Joe Donnelly, um senador eleito em áreas de Indiana a favor de Trump, e que terá dificuldades para ser reeleito, anunciou nesta sexta que vai votar contra Brett Kavanaugh.