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Trump quer tratado nuclear “modernizado” com Rússia

Presidente dos EUA defende nova negociação em vez de prorrogação de acordo expirado

Trump defende novo acordo com Rússia
Trump defende novo acordo com Rússia Foto : Saul Loeb / AFP / CP

O presidente Donald Trump pediu que Estados Unidos e Rússia negociem um novo tratado nuclear, "modernizado", em vez de prorrogar um acordo que expirou nesta quinta-feira (5), colocando fim a décadas de restrições sobre os arsenais de ogivas.

"Em vez de estender o "NOVO START" (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, além de tudo, está sendo gravemente violado), deveríamos fazer com que nossos Especialistas em Assuntos Nucleares trabalhem em um tratado novo, melhorado e modernizado, que possa durar muito tempo no futuro", disse Trump em sua plataforma Truth Social.

Trump havia mantido até agora silêncio diante dos apelos russos para prorrogar o Novo START, o tratado de 2010 que impunha as últimas restrições às duas maiores potências nucleares após décadas de acordos desde a Guerra Fria.

O republicano afirmou que o tratado assinado por seu antecessor Barack Obama e prorrogado pelo também democrata Joe Biden havia sido "mal negociado" e "grosseiramente violado".

O acordo Novo START expirou à 00h00 GMT de 5 de fevereiro (21h00 do dia 4 em Brasília), depois que Trump não deu seguimento à proposta de seu par russo, Vladimir Putin, de prolongar por um ano os termos do acordo.

Os Estados Unidos desejam envolver a China em qualquer discussão futura, mas Pequim descartou essa possibilidade.

A chancelaria chinesa se somou a outras vozes do cenário internacional que lamentaram a expiração do tratado, mas afirmou que "nesta etapa" não participará de eventuais conversas nucleares.

"As capacidades nucleares da China estão em uma escala totalmente diferente das de Estados Unidos e Rússia", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, em entrevista coletiva.

Rússia e Estados Unidos controlam conjuntamente mais de 80% das ogivas nucleares do mundo, mas os acordos de controle de armas vêm se enfraquecendo.

O arsenal nuclear chinês cresceu rapidamente. Estima-se que possua 550 lançadores estratégicos, abaixo dos 800 acordados por Estados Unidos e Rússia. O Reino Unido e a França, aliados dos Estados Unidos, têm conjuntamente outros 100.

“Rumo à destruição”

O Novo START, assinado pela primeira vez em 2010, limitava o arsenal nuclear de cada parte a 1.550 ogivas estratégicas implantadas, uma redução de quase 30% em relação ao limite anterior estabelecido em 2002.

O acordo também permitia que cada parte realizasse inspeções in loco no arsenal nuclear da outra, embora essas revisões tenham sido suspensas em 2023.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como "grave para a paz e a segurança internacional" e exortou Washington e Moscou a "retornar à mesa de negociações sem demora e acordar um marco sucessor".

Um funcionário da Otan, que pediu anonimato, fez um apelo à "moderação e à responsabilidade" e afirmou que a aliança atlântica "continuará dando os passos necessários" para garantir sua defesa.

Ele também criticou a "retórica nuclear irresponsável da Rússia", enquanto a China "continua expandindo e diversificando rapidamente seu arsenal nuclear".

Por sua vez, o grupo japonês de sobreviventes das bombas atômicas lançadas em 1945 expressou temor de que o mundo caminhe para uma guerra nuclear com o fim do Novo START.

"Tenho a impressão de que, em um futuro não muito distante, teremos uma guerra nuclear e avançaremos rumo à destruição", declarou Tarumi Tanaka, copresidente do grupo Nihon Hidankyo, em entrevista coletiva.

“Negativo”

A Rússia indicou na quarta-feira o fim de seu vínculo com o tratado, mas o presidente russo "ressaltou que, nessa situação, atuaremos com prudência e responsabilidade", afirmou seu assessor diplomático, Yuri Ushakov, em entrevista coletiva com jornalistas, entre eles da AFP.

"Continuamos abertos a encontrar caminhos de negociação e a garantir a estabilidade estratégica", assegurou Ushakov.

"A vigência do acordo se encerra. Consideramos que isso é negativo", insistiu nesta quinta-feira o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.

A China instou Washington a "retomar o diálogo sobre estabilidade estratégica com a Rússia", disse o porta-voz da chancelaria, Lin Jian.

Mas, na quarta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reiterou que qualquer novo acordo deveria incluir Pequim.

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A coalizão global de ONGs ICAN (Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares) pediu a russos e americanos que se comprometam publicamente a respeitar os limites do tratado Novo START "enquanto se negocia um novo marco".

Por sua vez, o papa Leão XIV alertou para o risco de uma "nova corrida armamentista" e instou a "não deixar cair esse instrumento sem tentar garantir-lhe um acompanhamento concreto e eficaz".