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Trump sugere que poderia ter “algumas discussões” com Maduro

Declarações de Trump contrastam com a ofensiva diplomática e militar em curso

Foto : ANNA MONEYMAKER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou neste domingo (16) a possibilidade de um diálogo com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A declaração ocorre em um momento de grande mobilização militar dos EUA no Caribe e no Pacífico, que aumentou as tensões com Caracas, que afirma que as operações americanas visam derrubar Maduro.

"Poderíamos ter algumas discussões com Maduro e ver o que acontece", declarou Trump aos jornalistas no aeroporto internacional de Palm Beach, na Flórida. "Eles gostariam de conversar. O que isso significa? Você me diz, eu não sei... Eu conversaria com qualquer um", acrescentou o presidente americano.

Acusações de terrorismo e o "Cartel de los Soles"

As declarações de Trump contrastam com a ofensiva diplomática e militar em curso. Washington ofereceu US$ 50 milhões (R$ 264 milhões) pela captura de Maduro, acusado de liderar o suposto "Cartel de los Soles". Especialistas, contudo, questionam a existência dessa organização, descrevendo a situação mais como um sistema de corrupção que beneficia o crime organizado.

Pouco antes das falas de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, havia anunciado planos para classificar o "Cartel de los Soles" como uma organização terrorista estrangeira (FTO). "O 'Cartel de los Soles' e outras 'FTO' designadas, incluindo o Trem de Aragua e o Cartel de Sinaloa, são responsáveis pela violência terrorista (...), assim como pelo tráfico de drogas para os Estados Unidos e Europa", declarou Rubio em comunicado. A designação será efetiva a partir de 24 de novembro.

Mobilização militar e impacto regional

A situação regional deteriorou desde o início da ofensiva americana em setembro, oficialmente uma campanha contra o narcotráfico. Desde o começo da mobilização, as forças americanas mataram pelo menos 83 pessoas acusadas de transportar drogas em águas internacionais. O governo dos EUA não apresentou evidências de que as pessoas atacadas fossem de fato narcotraficantes.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos reiterou a posição de Washington: "Nem Maduro, nem seus cúmplices representam o governo legítimo da Venezuela". Ele afirmou que os EUA "continuarão utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar fundos e recursos aos narcoterroristas".

A proximidade de navios de guerra e do porta-aviões USS Gerald Ford com águas venezuelanas aumentou a tensão. Maduro classificou o anúncio de novos exercícios militares conjuntos com Trinidad e Tobago como "irresponsáveis" e defendeu que é necessário "fazer tudo pela paz", citando um trecho da canção "Imagine", de John Lennon.

Estratégia contraditória dos EUA

Trump, que já autorizou operações clandestinas da CIA na Venezuela, deu indicações contraditórias sobre sua estratégia, mas afirmou na sexta-feira que "de certa forma" já decidiu os próximos passos. "Não posso dizer o que é, mas avançamos muito com a Venezuela no que diz respeito a deter o fluxo de drogas", declarou.

Em julho, o Departamento do Tesouro dos EUA já havia anunciado sanções contra o "Cartel de los Soles", classificando-o como uma entidade Terrorista Global Especialmente Designada por supostamente fornecer "apoio material" a outros grupos criminosos da América Latina.