Um dia depois de uma nova jornada de mobilização, o chefe de governo voltou a endurecer o discurso e chamou os manifestantes de "terroristas" e "vândalos". "São suficientemente covardes para insultar o primeiro-ministro deste país", avaliou. "Somos o partido dos 76 milhões de habitantes da Turquia", completou.
Erdogan é criticado pelos manifestantes, que o consideram autoritário. Na sexta-feira, ele havia suavizado o tom adotado contra os manifestantes e disse que era contra a violência, o vandalismo e "as ações que ameacem os outros em nome da liberdade". Também declarou que receberia todos com "exigências democráticas".
Porém, no sábado, milhares de turcos voltaram a sair às ruas para protestar contra o governo de Erdogan, que pediu o fim das manifestações, inéditas desde que o premiê chegou ao poder há uma década. Protestos foram organizados em Istambul, Ancara, Adana e Izmir. Manifestantes passaram a noite nas ruas.
Com a mesma determinação, milhares de pessoas ocuparam a praça Taksim de Istambul e o famoso parque Gezi. O anúncio da destruição do parque foi o estopim para a mais grave crise política desde que o governo islamita conservador chegou ao poder em 2002. Muitos torcedores dos três grandes clubes de futebol rivais da cidade, Galatasaray, Besiktas e Fenerbahçe, se uniram à multidão.
Mas em Ancara, a polícia dispersou de maneira violenta, com gás lacrimogêneo, 5 mil manifestantes que estavam reunidos na praça de Kizilay, centro da cidade. Várias pessoas ficaram feridas.
Erdogan aproveitou o sábado para multiplicar as consultas em Istambul, com reuniões com os dirigentes do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) e depois com o presidente do Parlamento, Cemil Ciçek. O AKP decidiu organizar reuniões públicas no próximo fim de semana, em Ancara e Istambul, segundo a imprensa. A ideia é lançar oficialmente a campanha do partido para as eleições, mas também responder às manifestações.
Erdogan deve retornar neste domingo a Ancara, onde estão previstas manifestações de apoio ao premiê. O projeto de reforma da praça Taksim prevê a destruição do parque Gezi e a retira de suas 600 árvores. A violenta intervenção da polícia no dia 31 de maio para desalojar os manifestantes que ocupavam o parque provocou confrontos, que se transformaram depois em um amplo movimento de protestos contra o governo islamita conservador.