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Turquia revistará consulado no caso de jornalista desaparecido

Suspeita é de que Jamal Khashoggi tenha sido morto por agentes da Arábia Saudita

Jornalista está desaparecido desde o último dia 2
Jornalista está desaparecido desde o último dia 2 Foto : Mohammed Al-Shaikh / AFP / CP
As autoridades da Turquia devem realizar nesta segunda-feira uma revista na sede do consulado da Arábia Saudita, em Istambul. A revista faz parte da investigação sobre o desaparecimento do jornalista dissidente saudita Jamal Khashoggi. As buscas no edifício serão feitas de forma "conjunta" com uma delegação saudita, de acordo com informações da agência oficial turca.

A decisão foi tomada depois que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o rei saudita, Salman bin Abdulaziz, conversaram por telefone ontem no domingo à noite. Na conversa, Erdogan ressaltou a importância de uma investigação conjunta do ocorrido no último dia 2 quando o jornalista desapareceu durante uma visita ao consulado saudita.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia solicitou há uma semana permissão às autoridades sauditas para efetuar uma revista no consulado e anunciou na última terça-feira que tinha obtido a autorização e investigaria o recinto. No entanto, até hoje, os especialistas turcos não tiveram acesso ao consulado e, segundo o jornal pró-governo turco Sabah, a demora se deve ao fato de que Riad só permitiria uma inspeção visual, enquanto a equipe turca insiste em utilizar produtos químicos que podem revelar vestígios de sangue.

A imprensa turca divulgou diferentes hipóteses segundo as quais Khashoggi, um jornalista saudita crítico com a monarquia de seu país, foi assassinado no consulado, ao qual compareceu para realizar procedimentos de rotina.

Nesta segunda, um jornal turco especulou que seu corpo poderia ter sido dissolvido em ácido, mas também circularam rumores de que o jornalista teria sido esquartejado e retirado do país em malas. O governo turco não se pronunciou oficialmente sobre a possibilidade de um assassinato cometido na sede diplomática e só prometeu investigar o caso.

Trump

O presidente americano Donald Trump citou também nesta segunda-feira a possibilidade de o jornalista saudita Jamal Khashoggi, ter sido morto por "assassinos comuns". Após receber uma "negativa muito, muito forte" do rei Salman da Arábia Saudita sobre o envolvimento de Riad no desaparecimento do jornalista, Trump afirmou à imprensa na Casa Branca "que talvez deve ter sido obra de assassinos comuns. Quem sabe?".

Mais cedo, no Twitter, Trump informou que conversou com Salman e disse que enviaria o seu secretário de Estado Mike Pompeu para a Arábia Saudita. "Acabo de falar com o rei de Arábia Saudita que nega ter alguma informação do que pode ter acontecido com seu cidadão saudita", escreveu o presidente americano.

Trump, grande aliado da Arábia Saudita, citou pela primeira vez no final de semana a possibilidade de um envolvimento de Riad no caso e ameaçou o reino com um "castigo severo". Contudo, deixou claro que não pretende comprometer os milhões de dólares em contratos militares bilaterais.