Em um novo sinal da fragilidade da trégua, pelo menos dois soldados ucranianos morreram pouco depois da assinatura e o Exército de Kiev anunciou que a zona desmilitarizada será possível apenas com um cessar-fogo total nas regiões separatistas de Lugansk e Donetsk. Em uma longa entrevista concedida a redes de televisão ucranianas, Petro Poroshenko reconheceu que houve uma "desescalada" nas regiões rebeldes, mas que a Ucrânia tem que estar preparada para se defender se o plano de paz não funcionar.
"Devemos reforçar nossas linhas de defesa, reforçar nosso Exército", afirmou o chefe de Estado ucraniano mencionando a aquisição "de equipamentos". Ele ainda anunciou que pretende comprar equipamentos de vigilância depois de ter recebido na semana passada a promessa dos Estados Unidos de uma ajuda de 46 milhões de dólares para comprar material e formar o Exército.
Ao mesmo tempo, Poroshenko descartou uma resposta unicamente militar aos rebeldes separatistas pró-russos. "Quanto mais grupos táticos e batalhões do Exército ucraniano houver (nas regiões separatistas), mais tropas russas haverá no lugar", afirmou.
As autoridades do Kremlin desmentem qualquer envolvimento direto no conflito, mas parte da imprensa russa afirma que vários paraquedistas foram enterrados na Rússia depois de terem morrido em combate no leste da ex-república soviética.
Em Moscou, pela primeira vez, milhares de pessoas saíram às ruas neste domingo em uma "marcha pela paz" para denunciar a "política agressiva e irresponsável" do Kremlin na Ucrânia. Em cinco meses, o conflito no leste ucraniano deixou mais de 2.9 mil mortos e 600 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas.