As Forças Armadas da Ucrânia negaram, nesta sexta-feira (2), as acusações de Moscou sobre um suposto ataque contra alvos civis em território ocupado. O porta-voz do exército ucraniano, Dmytro Lykhoviy, afirmou que Kiev atingiu exclusivamente alvos militares na região de Kherson, seguindo rigorosamente as normas do direito humanitário internacional.
O posicionamento ocorre após o Kremlin acusar a Ucrânia de matar 27 pessoas, incluindo duas crianças, em uma operação com drones que teria atingido um café e um hotel durante celebrações de Ano Novo.
De acordo com o governador de Kherson nomeado por Moscou, Vladimir Saldo, o ataque ocorreu na península de Khorli e teve como alvo estruturas frequentadas por civis. Contudo, fontes das Forças Armadas da Ucrânia confirmaram a operação, mas ressaltaram que o objetivo era neutralizar um agrupamento de soldados russos em uma área restrita ao acesso da população.
Para Kiev, a divulgação de um balanço elevado de vítimas civis pela Rússia é uma tentativa deliberada de manipular a opinião pública internacional e influenciar o curso das negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos.
Diplomacia sob pressão e acusações de sabotagem
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia subiu o tom, acusando a Ucrânia de "sabotar deliberadamente" as soluções pacíficas para o conflito, que já se estende por quase quatro anos. Em contrapartida, Lykhoviy destacou que o Kremlin recorre sistematicamente à desinformação para minar o apoio dos parceiros internacionais à Ucrânia. O impasse surge em um momento crítico da diplomacia, com Washington intensificando manobras para estabelecer um cessar-fogo e encerrar a invasão iniciada em 2022.