A Rússia afirmou que seu aplicativo de alerta de emergência enfrentou um "ciberataque em larga escala" nesta segunda-feira (2), pouco depois de a Ucrânia relatar uma ação de hackers contra o seu sistema de aviso de ataques, em um aparente troca de ofensivas após o término de uma trégua em uma cidade da região de Kherson.
O Ministério de Emergências da Rússia afirmou que hackers inseriram "informações falsas" no aplicativo, criado para alertar a população sobre ataques com drones e outras ameaças.
Algumas horas antes, a Ucrânia anunciou que suspeitava que seu sistema de alerta aéreo havia sido hackeado, depois que o aplicativo emitiu um falso alerta de ameaça de radiação.
Os ciberataques aconteceram após o fim, no domingo, da trégua mais longa da guerra na Ucrânia, limitada a uma cidade da região de Kherson. A pausa incomum em mais de quatro anos e meio de combates, iniciada na madrugada de terça-feira, permitiu o envio de uma missão humanitária à cidade de Oleshki, ocupada pela Rússia desde 2022.
"O cessar-fogo, que esteve em vigor de 27 de outubro a 1º de novembro, foi concluído", declarou o defensor público da Ucrânia, Dmytro Lubinets.
Analistas esperam, no entanto, que o diálogo de paz entre Kiev e Moscou seja retomado neste mês com mediação dos Estados Unidos. As negociações estão paralisadas desde o início, em fevereiro, da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
No domingo, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky afirmou que seu país deixaria de bombardear as refinarias de petróleo russas - uma exigência de seu homólogo americano Donald Trump - se Washington fornecer a Kiev mísseis interceptadores Patriot.
"Dissemos (a Washington) que, se querem que não ataquemos as refinarias russas, eles não devem atacar nosso sistema elétrico. Outra alternativa: que nos deem mísseis Patriot", declarou Zelensky ao canal Fox News.
Duelo cibernético
O possível ataque hacker ao sistema de alerta de ataques russos foi denunciado nesta segunda-feira pela Força Aérea ucraniana. "O aplicativo "Alerta Aéreo" provavelmente foi hackeado. No momento, as informações que ele divulga sobre os níveis de ameaça não correspondem à realidade", declarou também o Centro Ucraniano de Combate à Desinformação.
O Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas atribuiu o ataque de hackers à Rússia.
Horas depois, a Rússia denunciou um ciberataque ao seu aplicativo móvel que alerta sobre ataques ucranianos. "Atenção! O aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência da Rússia foi alvo de um ciberataque em larga escala, o que permitiu aos atacantes enviar informações falsas à população", anunciou o ministério no Telegram.
O conflito, iniciado em 2022 com a invasão russa, devastou áreas do leste e do sul da Ucrânia, deixou centenas de milhares de mortos e obrigou milhões de pessoas a abandonar suas casas.
O cessar-fogo que expirou no domingo em Oleshki foi estabelecido com a mediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e permitiu saídas voluntárias para a Ucrânia ou para a Rússia.
Um oficial militar ucraniano, que falou sob a condição de anonimato, disse que as forças russas, posicionadas na outra margem do rio Dnipro, aproveitaram os últimos dias para concentrar novos efetivos, deslocar reservas de munição e coletar informações sobre posições ucranianas por meio de drones.
Ataques
Fora de Kherson, os combates prosseguiram. A Rússia informou no domingo que um drone atingiu durante a noite uma "empresa industrial" ao leste de Moscou.
Veículos de comunicação ucranianos relataram um ataque contra a refinaria de petróleo de Kstovo, descrita como "uma das maiores refinarias da Rússia, produtora de combustíveis e lubrificantes".
A Ucrânia tem atacado repetidamente instalações petrolíferas e de gás russas, argumentando que se trata de uma resposta legítima aos bombardeios contra sua infraestrutura energética.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona Kiev a interromper esses ataques, por considerar que eles contribuem para a alta dos preços do diesel. Analistas atribuem esse aumento à guerra envolvendo o Irã.
A Rússia controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano.