A União Europeia (UE) alcançou nesta quarta-feira (5) um compromisso sobre as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa para 2035 e 2040. O acordo, negociado em Bruxelas, envolveu uma série de concessões para convencer os Estados reticentes, e foi fechado pouco antes do início da COP30 no Brasil.
O bloco anunciou um acordo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 90% até 2040, na comparação com os níveis de 1990. Contudo, o compromisso permite que os países descontem créditos de carbono de até 10% da meta. Além disso, os países da UE formalizaram uma meta intermediária para 2035, que será apresentada nas negociações climáticas da ONU, fixada entre 66,25% e 72,5%.
Flexibilidade para convencer membros céticos
A UE é o quarto maior emissor do mundo, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos e Índia. No entanto, o bloco tem se destacado por seu compromisso com a ação climática, já tendo reduzido suas emissões em 37% em relação aos níveis de 1990. Para garantir o consenso entre os 27 membros, especialmente os mais céticos como a Itália, foram incorporadas diversas medidas de "flexibilidade".
Entre as concessões, os europeus poderão comprar 5% de créditos de carbono internacionais para financiar projetos fora da Europa, uma medida que gerou fortes críticas de organizações ambientalistas. Adicionalmente, existe a possibilidade de 5% adicionais de créditos de carbono na próxima revisão da lei sobre o clima.
Os Estados membros também concordaram em adiar por um ano, de 2027 para 2028, a extensão do mercado de carbono para o transporte rodoviário e os sistemas de climatização de edifícios. Este adiamento atendeu a um pedido da Hungria e da Polônia, que era oposto pelas nações escandinavas. Para garantir a adaptabilidade, os 27 países aprovaram uma cláusula para revisar a lei do clima a cada dois anos, permitindo ajustes nas metas conforme necessário.
Críticas de ambientalistas
Apesar do acordo, Sven Harmeling, da rede de ONGs ambientais CAN Europa, criticou a proposta. "O acordo, muito aguardado, é muito mais fraco do que dá a entender o número de 90%", afirmou.