A União Europeia afirmou, nesta sexta-feira (20), que examina 'atentamente' o parecer da Suprema Corte dos Estados Unidos que considera ilegais as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre quase todos os produtos exportados ao país. 'Tomamos nota da decisão e estamos analisando-a atentamente', declarou à AFP Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.
Ele acrescentou que espera 'esclarecimentos' do governo americano 'sobre as medidas que prevê tomar em resposta a esta decisão'.
'As empresas de ambos os lados do Atlântico dependem da estabilidade e da previsibilidade das relações comerciais. Por isso continuamos defendendo tarifas baixas e trabalhando para que sejam reduzidas', acrescentou.
A Comissão Europeia não especifica quais consequências a decisão pode ter sobre o acordo concluído há meses com Washington. Esse pacto permitiu limitar a 15% as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos à maioria dos produtos europeus. A decisão da Suprema Corte pode frear a implementação desse acordo.
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O eurodeputado social-democrata alemão Bernd Lange anunciou que na próxima segunda-feira haverá 'uma reunião extraordinária da equipe de negociadores e do serviço jurídico do Parlamento Europeu, para debater os próximos passos e as implicações para o calendário previsto'. 'Como grande parte das tarifas recíprocas se baseia em um marco jurídico agora questionado, nem o governo americano nem a União Europeia podem simplesmente retomar suas atividades como se nada tivesse acontecido', destacou.
A decisão judicial também suscita dúvidas em Londres. 'Trabalharemos com o governo dos Estados Unidos para entender como essa decisão afetará as tarifas alfandegárias para o Reino Unido e o resto do mundo', indicou um porta-voz do governo britânico em nota. 'O Reino Unido se beneficia das tarifas recíprocas mais baixas do mundo e, seja qual for o cenário, esperamos que a nossa posição comercial privilegiada com os Estados Unidos se mantenha', acrescentou. Um acordo com Washington limita as tarifas da maioria dos produtos britânicos a 10%.