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UE divulga contrato firmado com AstraZeneca e aumenta pressão por cumprimento de obrigações

Documento inclui os parágrafos ocultados por razões de confidencialidade

Documento inclui os parágrafos ocultados por razões de confidencialidade
Documento inclui os parágrafos ocultados por razões de confidencialidade Foto : Justin Tallis / AFP / CP

A União Europeia publicou nesta sexta-feira, as 41 páginas do contrato de pré-compra de vacinas anticovid assinado no ano passado com o laboratório britânico AstraZeneca, incluindo os parágrafos ocultados por razões de confidencialidade. O grupo farmacêutico está sendo pressionado pela UE, devido a atrasos significativos na entrega das vacinas.

Por acordo mútuo entre as partes, parágrafos inteiros - e em um caso até uma página inteira - foram ocultados, em particular os pontos referentes a preços, formas de pagamento e o momento preciso de entrega das vacinas.

A divulgação do documento ocorreu poucas horas antes da autorização da vacina pela Comissão Europeia, após o relatório favorável da Agência Europeia de Medicamentos. "Espero que a empresa entregue os 400 milhões de doses conforme acordado", insistiu no Twitter a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

Controvérsia

A divulgação do contrato respondeu a uma amarga disputa entre a UE e o laboratório, centrada em dois pontos críticos: o alcance da ideia do "melhor esforço" para cumprir as metas e o papel das fábricas da AstraZeneca no Reino Unido na produção de vacinas para a UE.

O porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer, disse aque a divulgação do contrato mostrará que o acordo assinado inclui as fábricas da AstraZeneca no Reino Unido e que "essas fábricas contribuirão para o esforço (...) de entregar as doses para a União Europeia".

O CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, argumentou esta semana que os atrasos nas entregas da vacina à UE se deviam a problemas em uma fábrica localizada em território europeu (na Bélgica). A UE reagiu, alegando que o contrato não estipula que a produção das fábricas do Reino Unido seja reservada para esse mercado, devendo o laboratório utilizar essa produção para cumprir seus compromissos na Europa.

Uma fonte europeia disse nesta sexta-feira que o uso de fábricas britânicas para fornecer vacinas à UE "não é uma opção, mas uma obrigação contratual ... Não há fábricas opcionais".

"Melhores esforços"

Mamer disse que a divulgação do contrato provaria que a AstraZeneca se comprometeu com um cronograma de entrega claro, e não simplesmente no "melhores esforços"" para cumprir o contrato da UE. Em seus comentários nesta semana, Soriot insistiu que a AstraZeneca havia se comprometido aos "melhores esforços" para atingir as metas de produção e distribuição, uma interpretação que a UE rejeitou de imediato.

Na verdade, o contrato menciona repetidamente a fórmula dos "melhores esforços", mas a UE alega que esta expressão jurídica se refere a uma época em que ainda não estava certo de que seria obtida uma vacina eficaz contra a Covid-19. "A AstraZeneca está empenhada em realizar os melhores esforços razoáveis para desenvolver a capacidade de produzir 300 milhões de doses da vacina, sem lucro ou prejuízo", afirma o contrato, que menciona a opção da UE de encomendar mais 100 milhões de doses.

Porém, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, disse nesta sexta-feira que a ideia de fazer o máximo foi aplicada "quando ainda não havia certeza de que uma vacina seria desenvolvida. Passamos desse ponto. A vacina está lá (...) e há quantidades extremamente precisas de entregas no contrato. "