Em mais um dia caótico na Europa, o comissário europeu de Economia, Olli Rehn, fez questão de anunciar que o único cenário com o qual se trabalha é o que inclui a Grécia dentro do bloco. Mas os esforços não foram suficientes para convencer os mercados de que as autoridades europeias estão pensando o impensável. Ontem, o risco de um contágio continuou a ficar explícito, principalmente na Espanha, que se transformou no novo epicentro dos problemas europeus e fez as bolsas mais uma vez desabarem. Em declarações ao jornal belga De Standaard, o comissário de Comércio do bloco, Karel De Gucht, confirmou a existência dos planos de contingência, rompendo um tabu em Bruxelas.
Há meses que o plano tem sido alvo de especulações. Mas a hipótese de uma saída da Grécia é considerado oficialmente como "blasfêmia". "Há um ano e meio, havia um risco de um efeito dominó", disse. "Mas hoje existe no Banco Central Europeu, assim como na Comissão Europeia, serviços trabalhando em cenários de emergência se a Grécia não der conta", completou, se recusando a dar detalhes do plano. De Gucht não foi o único a falar desse tipo de plano. No Ministério de Finanças da Alemanha, uma porta-voz respondeu de forma enigmática quando foi questionada se Berlim tinha planos de contingência. "O governo alemão naturalmente tem responsabilidades perante seus cidadãos e está preparado para qualquer eventualidade", falou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.