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UE já tem plano caso Grécia deixe zona do euro

Crise que iniciou em Atenas pode atingir Espanha

Pela primeira vez, um alto funcionário da União Europeia (UE) confirmou estar preparando um plano de emergência caso a Grécia deixe a zona do euro, no mesmo momento que a crise que começou em Atenas dá sinais de que pode atingir a Espanha e fugir do controle. Nessa sexta-feira, para agravar ainda mais a situação, a chanceler alemã Angela Merkel telefonou ao presidente grego e, segundo o governo de Atenas, sugeriu que o país realize um referendo sobre sua participação no euro, deixando furiosos os partidos por conta da ingerência e acusando Merkel de tratar a Grécia como um "protetorado". Berlim desmentiu.

Em mais um dia caótico na Europa, o comissário europeu de Economia, Olli Rehn, fez questão de anunciar que o único cenário com o qual se trabalha é o que inclui a Grécia dentro do bloco. Mas os esforços não foram suficientes para convencer os mercados de que as autoridades europeias estão pensando o impensável. Ontem, o risco de um contágio continuou a ficar explícito, principalmente na Espanha, que se transformou no novo epicentro dos problemas europeus e fez as bolsas mais uma vez desabarem. Em declarações ao jornal belga De Standaard, o comissário de Comércio do bloco, Karel De Gucht, confirmou a existência dos planos de contingência, rompendo um tabu em Bruxelas.

Há meses que o plano tem sido alvo de especulações. Mas a hipótese de uma saída da Grécia é considerado oficialmente como "blasfêmia". "Há um ano e meio, havia um risco de um efeito dominó", disse. "Mas hoje existe no Banco Central Europeu, assim como na Comissão Europeia, serviços trabalhando em cenários de emergência se a Grécia não der conta", completou, se recusando a dar detalhes do plano. De Gucht não foi o único a falar desse tipo de plano. No Ministério de Finanças da Alemanha, uma porta-voz respondeu de forma enigmática quando foi questionada se Berlim tinha planos de contingência. "O governo alemão naturalmente tem responsabilidades perante seus cidadãos e está preparado para qualquer eventualidade", falou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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