Os líderes da UE decidiram nesta sexta-feira, em uma cúpula em Bruxelas, oferecer uma ajuda de 7,2 bilhões de euros (10,6 bilhões de dólares) entre 2010-2012 para que os países pobres combatam os efeitos da mudança climática. A decisão foi tomada no segundo e último dia de uma cúpula de chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE) dedicada às negociações da ONU em Copenhague.
O total supera a meta que havia sido fixada pelos 27 países, de 6 bilhões de euros em três anos, como parte de um plano mundial para ajudar de forma imediata os países pobres a enfrentar o aquecimento planetário. Agora, os europeus esperam que os Estados Unidos e outras nações ricas sigam o exemplo.
Esta ajuda constitui um dos temas chave das negociações internacionais na reunião da ONU em Copenhague, e a UE acredita que o gesto estimule as demais potências desenvolvidas, em especial os Estados Unidos, a anunciar uma contribuição para ajudar os países pobres.
A crise econômica e as dificuldades nos cofres públicos dos Estados da UE tornaram, no entanto, difícil obter compromissos de grandes quantias na reunião de dois dias, a última antes da presidência semestral do bloco passar da Suécia para a Espanha em janeiro.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, por sua vez, indicou nesta sexta que a UE está disposta a propor uma meta de redução de emissões de CO2 de 30% até 2020, se o resto das grandes potências apresentar ofertas equiparáveis.
As nações mais ricas do mundo foram convocadas a contribuir para o fundo, que seus idealizadores planejam engordar com 30 bilhões de dólares para o período 2010-2012. Os europeus se transformam assim nos primeiros a colocar sobre a mesa contribuições financeiras concretas, um assunto determinante para o sucesso das negociações internacionais de Copenhague, que terminam na semana que vem.
França e Alemanha anunciaram sua intenção de doar 1,2 bilhão de euros cada um em três anos para o fundo; o Reino Unido falou em 1,3 bilhão, a Suécia em 765 milhões e a Espanha em 375 milhões. O diretor para questões climáticas da ONU, Yvo de Boer, reagiu imediatamente ao anúncio das potências europeias, afirmando que a ajuda é "muito alentadora".
"Acho que o fato de a Europa colocar um número sobre a mesa será algo muito alentador para o processo", disse de Boer. "Veremos então quais são os números que outros países ricos apresentarão".
Apesar desta ajuda, chamada de desembolso imediato, a iniciativa é apenas um primeiro passo. Calcula-se que os países pobres precisarão, entre 2013 e 2020, de 100 bilhões de euros (147 bilhões de dólares) anuais para empreender as reformas necessárias.
UE vai doar US$ 10,6 bilhões a países pobres entre 2010 e 2012
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