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Unasul não vai reconhecer as eleições em Honduras

Presidente do Equador pretende pedir que União Europeia tome a mesma decisão

A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) não reconhecerá as eleições que serão realizadas no domingo, em Honduras, organizadas pelo regime de fato, afirmou nesta sexta-feira, em Bruxelas, o presidente de Equador, Rafael Correa, que pediu à União Europeia (UE) que tome a mesma decisão. "A decisão da Unasul está tomada: não vamos reconhecer as eleições sob o governo de fato de Roberto Micheletti, como os Estados Unidos", declarou Correa após uma conferência sobre as relações entre América Latina e UE em Bruxelas.

"Espero que a União Europeia adote a mesma postura que a Unasul", destacou o dirigente equatoriano e presidente da aliança sul-americana, que está em visita oficial à Bélgica. "Agora vamos ver quem é quem, quem acredita na democracia e quem não", enfatizou. No entanto, o Peru, membro da Unasul, anunciou que reconhecerá os resultados das eleições de 29 de novembro em Honduras.

Já a União Europeia ainda não anunciou se reconhecerá ou não as eleições de domingo, apesar de não manter contatos diretos com o governo de fato. "Como vamos falar de algo que ainda não aconteceu? Não posso especular sobre qual será a reação da UE depois das eleições", afirmou Christiane Hohmann, porta-voz da comissária europeia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner. Correa também criticou a passividade dos Estados Unidos ante o golpe de Estado que tirou do poder, no final de junho, o presidente Manuel Zelaya, e assegurou que Washington "se quisesse, poderia resolver a crise amanhã", retirando o apoio que dá às forças armadas.

Segundo o presidente equatoriano, alguns setores no Equador, Bolívia e Venezuela, se pudessem, "anulariam o golpe de Estado, mas, graças a Deus, seus governos contam com um grande apoio popular que impediria isso".
Os Estados Unidos afirmaram, por sua parte, que vigiarão atentamente as eleições de domingo em Honduras, para depois decidir se vão reconhecê-las. "Os Estados Unidos, junto com toda comunidade internacional, acompanharão as eleições hondurenhas com grande interesse", destacou o departamento de Estado à AFP.

"Para que a vontade popular possa se expressar claramente, as eleições devem ser realizadas em um contexto que permita aos candidatos, a todos, fazer campanha em um ambiente de paz e segurança", declarou o novo vice-secretário de Estado para a América Latina, Arturo Valenzuela, em sua apresentação na Organização dos Estados Americanos (OEA). O governo de Obama insiste ante o governo de fato de Honduras que está preocupado com as violações dos direitos humanos.

Mas Washington não tomará decisão antecipada sobre as eleições porque, acima de tudo, os hondurenhos têm direito de escolher seus representantes, e porque a eleição já estava inscrita no calendário legal do país, indicou Valenzuela na OEA. Já o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que foi mediador na crise hondurenha, afirmou nesta sexta que vai reconhecer o vencedor das eleições de domingo em Honduras e incentivou que outros países também o façam, em declarações à CNN.

"Para que vamos castigá-los com um segundo furacão Mitch?", questionou Arias, defendendo a suspensão das sanções contra Honduras se as eleições transcorrerem de forma limpa. "No fim das coisas, é preciso reinar o bom senso e o bom senso diz que, se tudo transcorrer bem, normalmente, a grande maioria dos países deverão reconhecer as eleições de domingo", pediu o Prêmio Nobel da Paz.

Arias atuou como mediador entre o governo deposto de Manuel Zelaya e o regime de fato de Roberto Micheletti depois do golpe de Estado de 28 de junho, chegando a colocar sobre a mesa uma proposta de solução conhecida como Acordo de San José, que previa a restituição do primeiro e que nunca foi aplicado. Desta forma, a Costa Rica se soma aos Estados Unidos como um dos poucos países que anunciaram que reconhecerão as eleições em que Porfirio Lobo, o candidato do Partido Nacional (PN, direita), aparece como favorito.