Um presente de Natal atrasado, mas há longos meses esperado: os 27 países da União Europeia (UE) começarão a vacinar seus moradores contra a Covid-19 a partir de 27 de dezembro, afirmou a presidente da Comissão Europeia nesta quinta-feira, presumindo que orgão regulador aprove um imunizante até a data. "Nos dias 27, 28 e 29 de dezembro, a vacinação começará em toda a UE", escreveu a alemã Ursula von der Leyen no Twitter. As entregas começarão em 26 de dezembro nos locais de produção na Bélgica e na Alemanha, mas a caberá a cada um dos Estados organizar e coordenar seus próprios programas.
It's Europe's moment.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) December 17, 2020
On 27, 28 and 29 December vaccination will start across the EU.
We protect our citizens together. We are #StrongerTogether#EUvaccinationdays pic.twitter.com/6VxDumysBL
A vacina favorita para dar início ao cronogama europeu é a desenvolvida pela empresa norte-americana Pfizer em parceira com o laboratório alemão BioNTech. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) que um painel de especialistas se reunirá na segunda-feira para avaliar o uso desse produto, aprovado para utilização emergencial no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá. Um alto funcionário da UE disse na quarta-feira que o bloco poderia dar sua aprovação final para a vacina m 23 de dezembro.
O processo de aprovação da EMA para vacinas contra o coronavírus é muito semelhante ao procedimento de licenciamento padrão que seria concedido a qualquer nova vacina, apenas em um cronograma acelerado. As empresas ainda precisarão enviar dados de acompanhamento ao regulador da UE e a aprovação deverá ser renovada após um ano.
O diretor executivo da EMA, Emer Cooke, disse à Associated Press que, embora todas as agências regulatórias nos EUA, Grã-Bretanha e Canadá estejam em grande parte olhando para os mesmos dados, “podemos não ter todos ao mesmo tempo”. A EMA iniciou seu rápido processo de aprovação da vacina Pfizer-BioNTech em outubro e as empresas solicitaram formalmente que sua vacina fosse licenciada em 1º de dezembro.
Usando seu processo de aprovação acelerado, a EMA diz que o tempo para avaliar uma nova droga ou vacina foi encurtado de cerca de 210 dias para menos de 150. Durante a reunião na próxima segunda-feira, especialistas discutirão os dados por trás da vacina Pfizer-BioNTech. O encontro, que será encerrado, incluirá a apresentação de dois funcionários encarregados de avaliar a vacina e poderá incluir também a vinda de representantes da empresa para esclarecer dúvidas.
Poucas horas após a conclusão da reunião, emitirá uma declaração sobre se recomenda ou não a aprovação da vacina. Vários dias depois, eles divulgarão sua avaliação científica completa, explicando a decisão.
Pressão por aprovação
A Alemanha aumentou a pressão sobre a agência, com seu ministro da saúde, uma importante associação de hospitais e legisladores exigindo que ela aprove uma vacina contra o coronavírus antes do Natal. “Nossa meta é uma aprovação antes do Natal para que ainda possamos começar a vacinar este ano”, disse o titular da Saúde, Jens Spahn. Ele expressou impaciência, observando que a Alemanha já criou cerca de 440 centros de vacinação, ativou cerca de 10 mil médicos e equipes médicas, e estava pronta para iniciar a vacinação em massa.
A Associação Alemã de Hospitais também divulgou um comunicado na terça-feira, exigindo que a agência emita uma autorização de emergência para a vacina Pfizer-BioNTech. Dessa forma, diz, os trabalhadores podem ir para asilos para vacinar aqueles que correm maior risco de morrer do vírus.
Outras nações da UE também estão ficando impacientes. “Minha esperança é que a EMA, em conformidade com todos os procedimentos de segurança, consiga aprovar a vacina da Pfizer/BioNTech mais cedo do que o esperado e que as vacinações também possam começar nos países da União Europeia o mais rápido possível”, comentou o Ministro da Saúde italiano Roberto Speranza. Seu país foi um dos mais afetados durante a primeira onda de Covid-19 no continente.