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Urnas para eleições de meio de mandato estão abertas em todos os estados nos EUA

Eleições são consideradas um veredito sobre a presidência de Trump

EUA têm eleições de meio de mandato
EUA têm eleições de meio de mandato Foto : Leonardo Munoz / AFP / CP

Às 14h (de Brasília) desta terça-feira (3), todos os estados americanos estão com urnas abertas para as midterms, as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O último a liberar a votação foi o Havaí.

Os americanos comparecem às urnas para renovar boa parte do Congresso em eleições de meio de mandato que são consideradas um veredicto sobre a presidência do republicano Donald Trump.

A oposição democrata espera conquistar a maioria na Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e tem boas perspectivas para o Senado, que renova 35 de seus 100 nomes. Os democratas, com 47 assentos na Câmara Alta, têm chances de chegar a 51, com pesquisas que lhes dão possibilidades de tomar cadeiras dos republicanos em estados tradicionalmente conservadores como Maine, Alasca, Texas, Ohio e Kansas.

Uma derrota no Senado reduziria os poderes do presidente para nomear os magistrados da Suprema Corte e altos cargos da administração.

Donta Comer, uma residente de Atlanta de 38 anos, disse ter votado "principalmente em candidatos democratas". "Trata-se simplesmente do custo de vida, dos preços da gasolina, desse tipo de coisa. As coisas precisam mudar para as pessoas comuns, e eu sou uma", afirmou Comer.

Trump concedeu uma entrevista por telefone à Fox nesta terça-feira para tentar convencer os eleitores, defendendo os quase dois anos de gestão de seu segundo mandato. O presidente abordou a guerra com o Irã, sua política estrita em relação à migração, bem como as tarifas e a inflação.

"Temos que manter a grandeza dos Estados Unidos. Agora somos grandes. Há dois anos éramos terríveis", declarou no programa “Fox & Friends”.

Trump passou quase um mês inteiro em campanha para as eleições legislativas de meio de mandato mais caras da história, com mais de 11 bilhões de dólares gastos. "São as eleições mais importantes de nossas vidas", declarou o republicano na segunda-feira, antes de voltar a pedir a mobilização de seus apoiadores.

Ao meio-dia, na costa leste do país, foram registrados problemas com as máquinas de votação em um condado do estado de Nova York, que elege cadeiras para a Câmara dos Representantes. As autoridades eleitorais locais tiveram de implementar "os procedimentos de votação de emergência estabelecidos, nos quais as cédulas preenchidas são guardadas de forma segura, sob controle bipartidário".

Os democratas sonham com a revanche política após o duro revés que significou, em 2025, o retorno de Trump à Casa Branca, onde ele não deu trégua à oposição, com campanhas militares de êxito desigual na Venezuela e no Irã, cortes de impostos e dezenas de decretos presidenciais.

Trump tentou influenciar ao máximo os americanos, mas as principais preocupações dos eleitores, a economia e o custo de vida, aumentaram nos últimos meses.

Pior índice de popularidade

Trump enfrenta o pior índice de popularidade de um presidente em meio de mandato, com quase 70% de descontentes, e pode apenas apostar na mobilização de seus seguidores incondicionais para tentar evitar perder a maioria nas duas câmaras.

Por sua vez, os democratas dedicaram boa parte de seus esforços de campanha ao entusiasmo da ala mais à esquerda, que contribuiu com recursos financeiros e uma intensa campanha de registro de eleitores. A mobilização também apresenta riscos, já que a ala à esquerda tem posições sobre a polícia migratória, a relação com Israel ou os impostos que se afastam abertamente do eleitorado médio democrata.

Um total de 53% dos eleitores hispânicos declaram que estavam "extremamente motivados" para comparecer às urnas, um avanço considerável em relação aos 41% de 2022, segundo o centro de estudos Pew. Trump venceu com quase metade destes votos em 2024. Agora, apenas 24% dos eleitores desta importante minoria aprovam seu desempenho no governo.

Em sua última projeção antes das eleições, a empresa de previsões Decision Desk HQ estimava que o Senado passaria a uma maioria de 52-48 a favor dos democratas. Além disso, o partido de oposição conquistaria uma vantagem confortável de 241-194 na Câmara dos Representantes.

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O início do fim?

Em caso de vitória, a oposição quer abrir investigações contra o presidente Trump, seu governo e sua família, além de tentar bloquear suas nomeações, assim como o financiamento da guerra no Irã.

Os republicanos esperam manter ao menos o controle de uma das duas câmaras e, assim, obrigar os democratas a negociar o orçamento.

Uma derrota estrondosa poderia significar o começo do fim da presidência Trump, alvo de duas tentativas de impeachment por parte dos democratas durante seu primeiro mandato. Em tom desafiador, o republicano advertiu que pode se transformar no "Senhor Veto" para frear as iniciativas legislativas da oposição.

Além do Congresso, os americanos votarão para definir 36 governos estaduais e em vários referendos. As eleições podem representar o sucesso de jovens promessas, como o democrata James Talarico, com boas chances de conquistar uma vitória crucial para o Senado no Texas.

A noite eleitoral começará a partir das 18h00 na costa leste (20h00 de Brasília), mas os eleitores podem levar dias para conhecer os resultados.

Além das disputas apertadas em alguns estados, no Alasca o governo federal quer impugnar preventivamente o resultado, depois que os democratas apresentaram um candidato com um nome idêntico ao do aspirante republicano.