O ministro esclareceu que a medida busca dar uma resposta adequada à decisão da Corte Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH) no caso Gelman, questão que força o Estado a investigar, punir os culpados e indenizar as vítimas e seus familiares.
Marcelo Gelman, filho do poeta argentino Juan Gelman, desapareceu na Argentina durante a ditadura do país (1976-1983), mas sua companheira, María Claudia García, foi feita prisioneira e mandada para o Uruguai quando grávida. Ainda em cativeiro, deu à luz uma menina, Macarena Gelman, e posteriormente foi assassinada. Macarena Gelman foi encontrada por seu avô e, juntos, apresentaram uma denúncia à CIDH, que proferiu a sentença que exige que o Uruguai a cumpra, motivando o anúncio de Genebra.
Quanto à violência exercida pela guerrilha na época do antigo regime militar, o ministro disse que esse tema já foi abordado prontamente pelos tribunais e pelo parlamento, uma questão na qual não há responsabilidade do Estado.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU é formado por 47 países eleitos por voto secreto na Assembleia Geral das Nações Unidas, seguindo uma representação proporcional aos continentes, entre os quais figura o Uruguai, que atualmente o preside através de sua embaixadora em Genebra, Laura Dupuy.
Almagro convidou o relator especial da ONU contra a tortura, o argentino Juan Méndez, a visitar o Uruguai no segundo semestre deste ano, com o objetivo "de conhecer no local o monitoramento que o país tem feito das recomendações (de seu antecessor) em sua visita em 2009, que nos impulsionou a atender múltiplas necessidades em relação às condições de privação de liberdade".