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Uruguai vota para presidente com pupilo de Mujica como favorito

A Justiça Eleitoral deve ter dados indicativos dos resultados finais por volta das 22h deste domingo

Os eleitores também devem se pronunciar em dois plebiscitos
Os eleitores também devem se pronunciar em dois plebiscitos Foto : Eitan ABRAMOVICH / AFP / CP

O Uruguai realiza eleições neste domingo (27) para escolher o sucessor do presidente de centro-direita Luis Lacalle Pou, uma eleição que tem um pupilo do ex-presidente de esquerda José Mujica como favorito, Yamandú Orsi.

No entanto, a votação -- que foi encerrada às 19h30 -- parece caminhar para um segundo turno contra o candidato da atual coalizão de governo, Álvaro Delgado, do Partido Nacional, já que não se espera que algum candidato consiga a maioria absoluta.

'Hoje o governo começa mudar de alguma maneira', disse o presidente Luis Lacalle Pou após votar, prometendo uma transição 'ordenada' e sem responder se assumirá a cadeira no Senado à qual concorre.

Onze candidatos, todos homens, disputam a sucessão de Lacalle Pou, que tem índice de aprovação de 50%, mas não pode disputar um segundo mandato consecutivo de cinco anos pelas normas estabelecidas na Constituição.

Orsi, candidato da opositora Frente Ampla, um professor de História e ex-prefeito departamental de 57 anos, lidera as intenções de voto, com 41 a 47% segundo as pesquisas. Ao votar em Canelones, o departamento que governou por quase 10 anos, destacou a 'saúde democrática' do Uruguai.

Delgado, candidato do Partido Nacional, que lidera a atual coalizão de governo, aparece em segundo lugar nas pesquisas. O veterinário de 55 anos, que foi secretário da Presidência de Lacalle Pou, tem de 20 a 25% das intenções de voto.

'A ventagem que tenho é fui secretário da Presidência [de Lacalle Pou] por quatro anos. Não preciso fazer pré-temporada', declarou.

Andrés Ojeda, do Partido Colorado, que também integra a coalizão, aparece em terceiro com 15-16% das intenções de voto. O advogado midiático de 40 anos tem ganhado impulso com sua forma nada convencional de fazer política, por isso é comparado ao presidente argentino ultraliberal Javier Milei.

Se nenhum candidatos superar 50% dos votos, haverá segundo turno em 24 de novembro.

Último voto de Mujica?

A segurança pública é o tema que mais preocupa a população do país, que tem 3,4 milhões de habitantes, predominantemente agrícola, com elevada renda per capita e baixos níveis de pobreza e desigualdade em comparação com as demais nações da região, mas que enfrenta um aumento da violência vinculada às drogas.

'Que [o próximo presidente] tenha mais empenho com a segurança, não estamos tão mal, mas podemos estar melhor', disse à AFP Juan Sunino, um comerciante de 65 anos.

Caso nenhum dos candidatos supere 50% dos votos, os uruguaios retornarão às urnas para o segundo turno em 24 de novembro.

A coalizão de governo, que também inclui o 'Cabildo Abierto' (direita, 2-4% nas pesquisas), e o Partido Independente (centro-esquerda, 1-3%), já anunciaram que organizarão uma 'festa da democracia' durante a noite, para demonstrar união. A Frente Ampla convocou uma 'celebração da esperança' em outro ato em Montevidéu.

Orsi acredita no retorno da Frente Ampla à presidência, que o movimento perdeu em 2020, após três mandatos consecutivos, um deles com Mujica (2010-2015). O ex-guerrilheiro de 89 anos se recupera de problemas derivados de um câncer de esôfago, mas foi muito ativo na campanha e uma das primeiras pessoas a votar neste domingo.

'Talvez seja o meu último voto', disse, em uma cadeira de rodas e cercado de câmeras de televisão. Questionado pelos jornalistas, Mujica apontou a segurança pública e o crescimento econômico como os principais desafios do próximo governo.

'Dois blocos muito parelhos'

Mais de 2,7 milhões de uruguaios estão registrados para votar e escolher o presidente e vice-presidente para o período 2025-2030, além de renovar o Parlamento bicameral. Os eleitores também devem se pronunciar em dois plebiscitos.

O mais polêmico, promovido pela central sindical única Pit-CNT com o apoio de setores da Frente Ampla, propõe a redução da idade mínima de aposentadoria de 65 para 60 anos e a proibição dos planos de previdência privados. A iniciativa tem 35-47% de apoio nas pesquisas.

Os três principais candidatos à presidência afirmaram que votarão contra a medida. O outro plebiscito, promovido por todos os candidatos da coalizão de governo e rejeitado pela oposição, pretende autorizar operações policiais nas residências durante a noite. As pesquisas mostram apoio de pouco mais de 50%.

'É uma eleição com muita incerteza e muito competitiva, com dois blocos muito parelhos. Esperamos um segundo turno entre Orsi e Delgado. O que não está tão claro é se haverá maioria parlamentar, porque poucos pontos de diferença podem gerar movimentos políticos determinantes', disse à AFP o cientista político Adolfo Garcé.

'Não acreditamos na aprovação do plebiscito sobre a Previdência Social', acrescentou, mas se acontecer 'poderia gerar um panorama muito complicado'.Analistas alertam que esta mudança constitucional, que segundo o Pit-CNT custaria 460 milhões de dólares (2,62 bilhões de reais) por ano, mas que segundo os críticos custaria mais do que o dobro, poderia prejudicar as finanças de um país que ainda está se recuperando das consequências da pandemia de covid e de uma seca recorde em 2023. Também precisa reduzir o déficit fiscal (-4,4% do PIB em agosto).

O voto é obrigatório no Uruguai. Uma hora após o fechamento das seções eleitorais, são esperadas projeções de boca de urna de institutos de pesquisa privados. A Justiça Eleitoral deve ter dados indicativos dos resultados finais por volta das 22h deste domingo.