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Vídeo mostra que autor do atentado contra a CIA no Afeganistão queria vingança

Ele citou os Estados Unidos e falou sobre o líder talibã paquistanês morto por americanos

O terrorista jordaniano Humam al-Balawi disse por meio de um vídeo que queria se vingar dos serviços de inteligência jordaniano e americano ao realizar o atentado que deixou oito mortos em uma base da CIA (agência de inteligência americana) no Afeganistão no fim de dezembro, segundo o canal de televisão Al Jazeera. Um membro da família do jordaniano, que não quis ser identificado, confirmou que o homem que aparece no vídeo gravado pouco antes do atentado é mesmo Al-Balawi.

O terrorista citou claramente os Estados Unidos e falou sobre Baitullah Mehsud, líder talibã paquistanês morto pelos EUA. "Diremos a nosso emir Baitullah Mehsud que jamais esqueceremos seu sangue. A nós corresponde vingá-lo nos Estados Unidos e fora dos Estados Unidos. Não esqueceremos o que ele [Baitullah Mehsud] disse que o xeque Osama Bin Laden não se encontrava no Paquistão, mas, que se viesse, nós o protegeríamos. Ele cumpriu com sua palavra e pagou com sua vida."

Nas imagens apresentadas na TV o homem aparece uniformizado e com barba. "Essa é uma mensagem aos inimigos da nação [islâmica]: os serviços de inteligência jordanianos e a CIA. Os combatentes de Deus jamais expõem sua religião à chantagem nem a renega mesmo que lhe ofereçam o Sol numa mão e a Lua na outra."

Em outras imagens Al-Balawi exibe uma arma e está sentado sob uma bandeira negra com a inscrição da profissão de fé dos muçulmanos. Ele aparece ao lado de um homem que, como ele, usa um chapéu afegão. O IntelCenter, centro de vigilância de sites extremistas, diz que se trata do novo chefe dos talibãs no Paquistão, Hakimullah Mehsud, que substituiu Baitullah Mehsud.

O órgão falou que o vídeo foi feito pelo Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), a principal força dos talibãs paquistaneses que pertence à Al-Qaeda.

Segundo um comunicado da Al-Qaeda divulgado esta semana, o atentado executado por um espião infiltrado que matou sete membros da CIA e um oficial da inteligência jordaniano no Afeganistão foi uma vingança pelas vítimas dos aviões sem piloto americanos no Paquistão.

Al Balawi se explodiu em 30 de dezembro em uma base da CIA em Khost (leste), no ataque mais violento contra os serviços de inteligência americanos desde 1983. Balawi era um agente que trabalhava para a CIA como membro dos serviços secretos jordanianos e também pertencia à rede Al-Qaeda.

Ele era considerado pela inteligência americana uma das melhores fontes sobre a Al-Qaeda, segundo o New York Times, que ouviu funcionários da CIA. O jornal diz que ele possuía informações vitais sobre os altos comandos da Al-Qaeda, inclusive sobre onde estaria Ayman al-Zawahiri, o número dois da rede.

Em seu testamento, o agente diz que o atentado suicida vingava os "mártires" da causa, entre eles uma série de combatentes talibãs mortos em ataques de mísseis lançados por aviões não tripulados americanos. Entre as vítimas dos ataques, está o líder talibã paquistanês Baitullah Mehsud, acusado de uma onda de atentados. O principal deles matou a primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, em dezembro de 2007.