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Vaticano critica Nobel de Medicina para pioneiro dos bebês de proveta

Religiosos consideraram premiação de Robert Edwards completamente "fora de lugar"

Vaticano critica Nobel de Medicina para pioneiro dos bebês de proveta
Vaticano critica Nobel de Medicina para pioneiro dos bebês de proveta Foto : Jonathan Nackstrand / AFP / CP
O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Ignacio Carrasco de Paula, criticou como "fora de lugar" a concessão do Prêmio Nobel de Medicina 2010 ao pioneiro da fecundação in vitro, o britânico Robert Edwards. O título foi anunciado nesta segunda-feira.

"Considero que selecionar Robert Edwards foi algo completamente fora de lugar", declarou o religioso espanhol à imprensa italiana. "Sem Edwards não existiriam congeladores em todo o mundo cheios de embriões que, no melhor dos casos, vão ser trasladados para úteros, mas que provavelmente serão abandonados ou morrerão. Desse problema é responsável o recém-premiado com o Nobel", acusou Carrasco de Paula.

O religioso, designado em junho passado para dirigir a instituição do Vaticano encarregada dos problemas de biomedicina e da defesa da vida, considera que Edwards é também responsável pelo mercado mundial de gametas femininos (óvulos). "Sem Edwards também não existiria o mercado dos óvulos, nem a venda de milhões de óvulos", acrescentou.

O Vaticano considera "moralmente ilícita" a fecundação em proveta e a eliminação voluntária de embriões que ela comporta. Carrasco de Paula reconhece, de qualquer maneira, o valor científico de Edwards, que "inaugurou um novo e importante capítulo da reprodução humana, cujos resultados são evidentes a todos", escreveu ainda.

Para o presidente da entidade pontifícia, as descobertas de Edwards suscitam "perplexidade".

"Edwards inaugurou uma casa, mas abriu a porta equivocada", afirma o eclesiástico, que acredita que os tratamentos aplicados pelo Prêmio Nobel "não modificaram minimamente o quadro patológico ou epidemiológico da esterilidade".

A premiação

O Prêmio Nobel de Medicina em 2010 foi atribuído ao pioneiro da fecundação in vitro, o britânico Robert Edwards, mais de 30 anos depois do nascimento do primeiro bebê de proveta, anunciou nesta segunda-feira o Comitê Nobel do Instituto Karolinska em Estocolmo.

Louise Joy Brown nasceu em 25 de julho de 1978. A menina foi o resultado concreto das pesquisas do professor Edwards, que ao lado do colega ginecologista Patrick Steptoe - falecido em 1988 - conseguiu fecundar uma célula em laboratório.

Desde Louise Brown, quase quatro milhões de crianças já nasceram graças à fertilização in vitro.O professor Edwards, 85 anos, foi premiado pelo "desenvolvimento do tratamento da fecundação in vitro. Suas descobertas tornaram possível o tratamento da esterilidade que afeta uma grande parcela da humanidade e mais de 10% dos casais no mundo", explica o comunicado do Comitê Nobel.

Devido à saúde frágil, o cientista não teve condições de comentar o prêmio, segundo o comitê.


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