"Considero que selecionar Robert Edwards foi algo completamente fora de lugar", declarou o religioso espanhol à imprensa italiana. "Sem Edwards não existiriam congeladores em todo o mundo cheios de embriões que, no melhor dos casos, vão ser trasladados para úteros, mas que provavelmente serão abandonados ou morrerão. Desse problema é responsável o recém-premiado com o Nobel", acusou Carrasco de Paula.
O religioso, designado em junho passado para dirigir a instituição do Vaticano encarregada dos problemas de biomedicina e da defesa da vida, considera que Edwards é também responsável pelo mercado mundial de gametas femininos (óvulos). "Sem Edwards também não existiria o mercado dos óvulos, nem a venda de milhões de óvulos", acrescentou.
O Vaticano considera "moralmente ilícita" a fecundação em proveta e a eliminação voluntária de embriões que ela comporta. Carrasco de Paula reconhece, de qualquer maneira, o valor científico de Edwards, que "inaugurou um novo e importante capítulo da reprodução humana, cujos resultados são evidentes a todos", escreveu ainda.
Para o presidente da entidade pontifícia, as descobertas de Edwards suscitam "perplexidade".
"Edwards inaugurou uma casa, mas abriu a porta equivocada", afirma o eclesiástico, que acredita que os tratamentos aplicados pelo Prêmio Nobel "não modificaram minimamente o quadro patológico ou epidemiológico da esterilidade".
A premiação
O Prêmio Nobel de Medicina em 2010 foi atribuído ao pioneiro da fecundação in vitro, o britânico Robert Edwards, mais de 30 anos depois do nascimento do primeiro bebê de proveta, anunciou nesta segunda-feira o Comitê Nobel do Instituto Karolinska em Estocolmo.
Louise Joy Brown nasceu em 25 de julho de 1978. A menina foi o resultado concreto das pesquisas do professor Edwards, que ao lado do colega ginecologista Patrick Steptoe - falecido em 1988 - conseguiu fecundar uma célula em laboratório.
Desde Louise Brown, quase quatro milhões de crianças já nasceram graças à fertilização in vitro.O professor Edwards, 85 anos, foi premiado pelo "desenvolvimento do tratamento da fecundação in vitro. Suas descobertas tornaram possível o tratamento da esterilidade que afeta uma grande parcela da humanidade e mais de 10% dos casais no mundo", explica o comunicado do Comitê Nobel.
Devido à saúde frágil, o cientista não teve condições de comentar o prêmio, segundo o comitê.