A decisão foi anunciada pelo cardeal americano William Levada, prefeito para a Doutrina da Fé, aos cardeais reunidos no Vaticano para um dia de "reflexão e oração" sobre o tema. Levada também informou os cardeais sobre "a atualização da legislação canônica frente ao crime de abuso sexual de menor", indicou o Vaticano na nota.
O sacerdote informou, além disso, que é preciso seguir o "exemplo" do Papa ante o fenômeno, que "escuta e acolhe" as vítimas, e ressaltou que é necessário "colaborar com as autoridades civis" e fomentar "um eficaz compromisso para a proteção de crianças e jovens junto com a seleção e formação dos futuros sacerdotes.
Tratou-se da primeira reunião celebrada em tão alto nível após a explosão, no fim do ano passado, de um escândalo na Irlanda pela confissão de altos membros do clero de abusos sexuais a centenas de menores, cometidos por religiosos deste país e encobertos pelas autoridades eclesiásticas. A onda de escândalos estendeu-se, depois, a Alemanha, Áustria, Itália, Holanda e Bélgica, além dos Estados Unidos e de vários países da América Latina.
Em maio, Bento XVI reconheceu que a maior perseguição que a instituição sofre não vem dos inimigos de "fora", mas sim de seus "próprios pecados", e reiterou que os culpados deverão responder "ante Deus e a justiça ordinária".