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Vazamento de petróleo põe em risco pântanos da Louisiana

Vida animal da região está ameaçada pela mancha negra, que deve chegar nesta sexta-feira

Mancha negra deve chegar aos Estados Unidos nesta sexta-feira
Mancha negra deve chegar aos Estados Unidos nesta sexta-feira Foto : Chris Graythen / Getty Images / AFP
A maré negra que ameaça o litoral da Louisiana (Sul dos Estados Unidos) pode provocar uma catástrofe ecológica de grandes proporções devido às particularidades da região, que concentra 40% dos pântanos costeiros americanos e um setor pesqueiro florescente. Todo vazamento de petróleo no mar é destrutivo, mas a geografia do delta do Mississipi e seu frágil ecossistema a tornaram uma região particularmente vulnerável, segundo especialistas. A mancha deve atingir o delta do Missisipi nesta sexta-feira.

Os temores se multiplicaram porque uma semana depois da explosão e do naufrágio de uma plataforma de petróleo no Golfo do México se ignora quando será possível controlar o vazamento, estimado em mais de 5 mil barris (800.000 litros), diariamente lançado no mar. "Não bastará um punhado de voluntários para limpar a praia", destacou a diretora do Centro de Saúde Pública aplicada ao Meio Ambiente da Universidade de Tulane, em Nova Orleans, Luann White. "Há quilômetros de pântanos costeiros aos quais só se pode chegar de barco e que são muito delicados", explicou.

A maré e o vento podem levar a camada de petróleo a se embrenhar nos pântanos e na reserva de fauna silvestre de Pass-a-Loutre, no interior do golfo. O simples fato de chegar às áreas afetadas pode levar horas e no local não há terra firme para pisar.

Diferentes espécies correm risco

Os pântanos costeiros fervilham de vida: alimentados pelos ricos sedimentos do Mississippi, abundam peixes, crustáceos e ostras. Além do mais, consistuem uma importante base para as aves migratórias, que podem morrer por sufocamento ou hipotermia se a plumagem for manchada por petróleo. Em uma costa rochosa, os voluntários podem capturá-las para limpá-las, mas isso é mais difícil nos pântanos.

Quanto às tartarugas marinhas, crocodilos, golfinhos e baleias, eles podem inalar ou ingerir o petróleo quando sobem à superfície para respirar ou se alimentar das presas já sujas, correndo o risco de sofrer inflamações, lesões internas ou outras complicações. Além disso, embora o petróleo flutue na superfície, alguns hidrocarbonetos se depositam no fundo e criam um entorno tóxico que pode matar os alevinos.

"Se isto continuar durante meses, como temem alguns, haverá muitas outras consequências", advertiu o especialista em meio ambiente da agência federal oceânica e atmosférica (NOAA), Tom Minello. As toxinas poderiam matar os vegetais que fixam os sedimentos e impedem que se dispersem no oceano. "Um dos aspectos mais perigosos de tudo isto é que o petróleo poderia depositar-se em alguns hábitats costeiros, o que terá efeitos de longo prazo sobre os recursos da nossa pesca", explicou Minello.

Sem esperar a maré negra, criadores de camarões da Louisiana já apresentaram um processo contra a BP, a cargo da exploração da plataforma acidentada, para obter um ressarcimento de US$ 5 milhões. A Louisiana é o primeiro produtor americano de camarões, cultivados em imensas fazendas costeiras. "Este acidente prova que a indústria petroleira no mar é contaminante, perigosa e mortal", afirmou o integrante da associação ecologista Gulf Restoration Network, Aaron Viles.