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Vazamento de texto dinamarquês ameaça cúpula de Copenhague

Proposta favoreceria os países ricos e reduziria o papel das Nações Unidas em futuras negociações sobre o clima

Foto : COPENHAGUE (AFP)
O vazamento de um esboço de texto da Dinamarca caiu como uma bomba nesta terça-feira, no segundo dia da conferência da ONU sobre o clima, em Copenhague.

O projeto, que começou a circular nesta terça-feira nos corredores da conferência da ONU sobre o clima, representa uma "ameaça" para o sucesso das negociações, advertiu um representante do G77, coalizão que reúne 130 países em desenvolvimento, entre eles as nações da América Latina e a China.

Segundo o jornal inglês "The Guardian", o texto de acordo sobre o clima - escrito em separado por Dinamarca, EUA e Grã-Bretanha - aumenta o poder dos países ricos, reduz o papel das Nações Unidas no futuro das negociações sobre o clima, além de prever o abandono do protocolo de Kyoto.

O chamado "texto dinamarquês", estabelece limites desiguais para redução per capita das emissões de carbono entre países desenvolvidos e emergentes em 2050, permitindo a países ricos, por exemplo, emitir quase o dobro de carbono per capita em relação aos emergentes.

E ainda: responsabiliza os países ricos pelos riscos da mudança climática e exige o cumprimento de metas. Os países emergentes poderiam adotar metas voluntárias para redução das emissões. Deixa claro que o Banco Mundial ficaria responsável por administrar o financiamento do combate às mudanças climáticas, diminuindo o papel da ONU.

Constitui "uma grave violação que ameaça todo o processo de negociação de Copenhague", declarou Lumumba Stanislas Dia Ping, chefe da delegação sudanesa que preside atualmente o G77.

O texto - que seria um rascunho para o novo acordo contra o aquecimento - circula há cerca de duas semanas em diferentes delegações e apareceu nesta terça-feira nos corredores da conferência.

"As táticas de negociações debaixo dos panos, sob a presidência dinamarquesa, se focalizam no desejo de agradar os países ricos em vez de servir à maioria das nações que pedem uma solução justa e ambiciosa", denunciam várias ONGs.

Para Martin Kaiser, do Greenpeace, a falta de liderança do primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, "alimenta a desconfiança na cúpula sobre o clima".

"A proposta dinamarquesa não deve distrair (os participantes)", avisou por sua vez Antonio Hill, da Oxfam International, sugerindo se concentrar no texto negociado há meses pelos diversos grupos de trabalho.
"Não existe um texto. Estamos há semanas e meses consultando os diversos países, é o nosso trabalho", afirmou a ministra dinamarquesa do Clima, Connie Hedegaard, em entrevista coletiva.

"Muitos textos circulam, mas o texto que talvez seja aprovado aqui (no dia 18) ainda não existe, então ninguém pode tê-lo visto", acrescentou.