O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou, nesta segunda-feira (1º), que a Guiana procura incentivar uma "frente de guerra" ao denunciar, na véspera, um suposto ataque venezuelano contra uma embarcação que levava material para as eleições realizadas hoje no país.
No domingo, a Guiana denunciou "disparos" da Venezuela contra uma embarcação guianense que transportava material eleitoral perto da cidade de Bamboo, às margens do rio Cuyuní, na região do Essequibo, rica em petróleo e minerais que os dois países disputam há mais de um século.
"Ontem (domingo) vimos um comunicado do governo da República Cooperativa da Guiana anunciando um novo incidente no alto rio Cuyuní, mais um, já são vários, indicando que as forças de defesa guianenses foram atacadas a partir do litoral venezuelano. Tentam criar uma frente de guerra (...) Isso não passa de uma "fake" (informação falsa)", declarou Padrino López sobre o país vizinho.
Segundo a Guiana, a embarcação alvo do ataque seria uma lancha-patrulha que transportava pessoal militar e policial para fazer a escola de funcionários eleitorais."A patrulha respondeu ao fogo de imediato e conseguiu colocar a equipe de escolta fora de perigo. Nenhum membro do pessoal ficou ferido e nenhum material eleitoral foi danificado ou comprometido", acrescentou a Guiana em um comunicado.
Padrino López também se referiu às declarações de Trinidade e Tobago a propósito de uma mobilização de combate ao narcotráfico, empreendida pelos Estados Unidos em águas internacionais, que inclui o envio de vários navio de guerra e um submarino de propulsão nuclear para a região, o que Caracas considera uma "ameaça".
"Assim como o governo de Trinidade e Tobago também disse que emprestaria seu território ao imperialismo norte-americano para atacar o que eles chamam de Cartel de los Soles", afirmou, em alusão às acusações feitas em Washington contra o presidente Nicolás Maduro, e membros da Força Armada venezuelana.
Em agosto, o governo do presidente americano, Donald Trump, aumentou para 50 milhões de dólares (R$ 271 milhões) a recompensa por informações que levem à detenção de Maduro, ao apontar seus supostos vínculos com cartéis do narcotráfico.
"Lamentamos profundamente o pronunciamento estéril, inútil, vassalo destes governos que têm ajudado a narrativa do imperialismo norte-americano lendo um comunicado redigido em Washington", concluiu Padrino López