A Venezuela deportou 1.012 colombianos ilegais durante as operações realizadas no âmbito do estado de exceção decretado pelo governo em um setor da fronteira binacional, que permanece fechada. "Até o momento 1.012 cidadãos foram transferidos ao consulado geral colombiano, sem nenhum tipo de atropelos ou violência", disse o governador do estado de Táchira, José Gregorio Vielma, ao canal governamental VTV.
"Nós os estamos entregando, como manda a lei, sem atropelos, sem humilhações ou torturas; contam com água potável, cadeiras e alimentos", acrescentou o funcionário, que negou que crianças estejam sendo separadas de seus pais. O governo da Colômbia criticou nesta segunda-feira o "drama humanitário" provocado pela deportação de centenas de cidadãos da Venezuela nos últimos dias, com base no estado de exceção decretado por Caracas e que mantém fechada parte da fronteira binacional. A medida de exceção, em vigor em cinco municípios de Táchira por 60 dias, foi anunciada na última sexta-feira pelo presidente Nicolás Maduro com o fechamento indefinido deste setor de passagem.
Desde a cidade de Cúcuta, cerca de 600 quilômetros a noroeste de Bogotá, os ministros do Interior, Juan Fernando Cristo, e das Relações Exteriores, María Ángela Holguín, seguiram pessoalmente a situação e foram até essa conflituosa zona do departamento de Norte de Santander para reunir-se com dezenas de deportados.
"É um drama social (...), é um drama humanitário que estamos atendendo aqui em Cúcuta", disse Cristo em coletiva na cidade, onde as autoridades buscavam responder aos casos de centenas de colombianos deportados, a maioria por supostas irregularidades migratórias e sem suas famílias nem seus bens.
Segundo um comunicado oficial, assinado pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em Cúcuta foi instalado um "Centro de Comando Unificado para velar pelos direitos dos colombianos que foram deportados, agilizar a reunificação familiar e manter a população informada".
Santos, que disse ter apostado pelo "caminho do diálogo e da diplomacia" diante desta crise, se referiu ao tema com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, segundo disse este último após reunir-se com o presidente em Bogotá.
Maduro tomou a decisão de deportar estes colombianos e fechar a fronteira após um ataque armado de desconhecidos que feriu três militares e um civil venezuelanos, que realizavam uma operação contra o contrabando na cidade de San Antonio del Táchira.
O presidente venezuelano, que nesta segunda-feira não descartou fechar a fronteira em mais pontos, sustenta que no lucrativo contrabando na zona fronteiriça estão mobilizados paramilitares que, aliados com a "direita" local, buscam desestabilizar seu governo.
Venezuela deporta mais de mil colombianos
Maduro tomou a decisão e fechou as fronteiras após um ataque armado que feriu três militares e um civil