Mundo

Venezuela e EUA iniciam processo para restabelecer relações após queda de Maduro

Acordo central é econômico: a reativação da indústria petrolífera venezuelana sob supervisão direta da Casa Branca

Foro Penal ainda contabilize centenas de presos políticos sob custódia na Venezuela
Foro Penal ainda contabilize centenas de presos políticos sob custódia na Venezuela Foto : RONALDO SCHEMIDT / AFP

Os Estados Unidos e a Venezuela iniciaram, nesta sexta-feira (9), um processo para restabelecer relações diplomáticas após a queda de Nicolás Maduro. A aproximação, interrompida desde 2019, resultou no cancelamento de uma "segunda onda de ataques" americanos e na libertação gradual de presos políticos pelo governo interino de Delcy Rodríguez.

O acordo central, no entanto, é econômico: a reativação da indústria petrolífera venezuelana sob supervisão direta da Casa Branca.

O "fator petróleo" e a influência de Trump

Embora a Venezuela possua as maiores reservas de petróleo do mundo, sua infraestrutura está em colapso. Donald Trump reuniu-se com executivos de cerca de 20 petrolíferas, incluindo a ExxonMobil, afirmando que os EUA decidirão quais empresas operarão no país. Apesar do otimismo do republicano sobre investimentos de até 100 bilhões de dólares, o setor privado demonstra cautela.

O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, alertou que novos aportes são inviáveis sem mudanças profundas nos sistemas comercial e jurídico venezuelanos. Atualmente, a PDVSA produz apenas um milhão de barris por dia, um terço de seu auge histórico.

Transição política e o papel da oposição

A retomada dos vínculos diplomáticos não prevê, por ora, uma mudança imediata de regime. Enquanto Delcy Rodríguez negocia a "via diplomática", o opositor Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha, exige o reconhecimento de sua vitória nas eleições de 2025.

Paralelamente, María Corina Machado será recebida por Trump na próxima semana para discutir o roteiro de redemocratização. No campo humanitário, a libertação de detidos como Enrique Márquez e Rocío San Miguel é vista como um gesto de boa vontade, embora o Foro Penal ainda contabilize centenas de presos políticos sob custódia.

Cooperação regional e segurança de fronteiras

A queda de Maduro alterou a dinâmica na América do Sul. Donald Trump alinhou ações com o presidente colombiano Gustavo Petro para combater o Exército de Libertação Nacional (ELN) na porosa fronteira entre os dois países.

Este novo eixo de cooperação permitiu a retomada de voos comerciais entre Bogotá e Caracas pelas companhias Wingo e Copa Airlines. No mar, a pressão continua: os EUA apreenderam o quinto petroleiro tentando driblar sanções, reforçando que, embora o diálogo tenha começado, Washington mantém o controle operacional sobre os ativos venezuelanos.

Veja Também