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Venezuela inicia revisão de assinaturas para referendo contra Maduro

Cerca de dois milhões de assinaturas foram apresentadas pela oposição

Cerca de dois milhões de assinaturas foram apresentadas pela oposição
Cerca de dois milhões de assinaturas foram apresentadas pela oposição Foto : Juan Barreto / AFP / CP
Quase dois milhões de assinaturas apresentadas pela oposição venezuelana para ativar o referendo revogatório contra o presidente, Nicolás Maduro começarão a ser auditadas nesta quarta-feira pelo órgão eleitoral nacional, um processo complicado e que será cuidadosamente vigiado pelo governo.

"Vamos ter acesso a todas as listas. Assinatura falsificada, processo assegurado", advertiu Maduro na noite de terça-feira, em seu programa de televisão semanal, ao explicar que a comissão por ele nomeada verificará cada assinatura recolhida.
Mas garantiu que se submeterá ao referendo caso o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) valide o processo para convocar a consulta.

"O que disser o CNE é palavra sagrada. Se no segundo passo confirmarem que recolheram as firmas, vamos ao referendo e ponto", declarou. "O processo começa amanhã (quarta-feira) e lançamos um desafio: em poucos dias vamos saber que inflaram em um milhão todas estas assinaturas que eles dizem que entregaram", declarou Jorge Rodríguez, o coordenador da comissão nomeada por Maduro para acompanhar a verificação das firmas.

O CNE, acusado pela oposição de servir ao governo, ainda não anunciou o procedimento de verificação, mas, segundo a lei, deverá revisar as planilhas em cinco dias e depois convocar os signatários a ratificar seu apoio com a impressão digital, em outros cinco dias. Apenas depois de validá-las é que se autorizará a coleta de quatro milhões de assinaturas exigidas para convocar o referendo.

Eufórica, a Mesa da Unidade Democrática (MUD, oposição) disse ter recolhido em poucos dias 2,5 milhões de assinaturas para convocar o referendo, sendo que 1,85 milhão já foram entregues, quando eram necessárias apenas 195.721 (1% do padrão eleitoral). "As assinaturas em massa do povo e a convocação do referendo os está deixando loucos", afirmou o líder opositor Henrique Capriles, ex-candidato presidencial que perdeu as eleições para Maduro em abril de 2013 por estreita margem.

Historicamente dividida, a oposição que controla o Parlamento está concentrada na busca de um objetivo comum: o referendo revogatório, garantido pela Constituição, para interromper o mandato de Maduro, eleito para o período 2013-2019.
No entanto, ainda se desconhece se haverá demoras ou interpretações das normas que atrasem o processo ou se, por exemplo, será afetado de alguma maneira pelo plano de racionamento de energia ordenado or Maduro, que levou o setor público a ter reduzido para dois dias a semana de trabalho.

Para o constitucionalista José Ignacio Hernández, o CNE "deverá passar à fase de validação se constatado que existe um número mínimo exigido (1%)". "Por serem apresentadas na segunda-feira passada, o período para isso vence em 7 de maio, nem um dia a mais", acrescentou.

Prontos para o que vier

Se o CNE validar as assinaturas, será autorizada a coleta, em três dias, de outros quatro milhões de assinaturas (20% do padrão eleitoral) requeridas para convocar o referendo. As assinaturas devem ser revisadas em 15 dias. Se aprovadas, a consulta será realizada nos três meses seguintes.

Para que Maduro seja revogado do cargo, o "Sim" no referendo deverá obter mais dos 7,5 milhões de votos com que foi eleito depois da morte de seu mentor, Hugo Chávez, em 2013. "Estamos prontos para o que der e vier", assegurou o presidente. Mas a oposição, que arrasou nas eleições parlamentares de dezembro passado, está confiante. "Vamos conseguir porque o povo quer sair desse governo", assegurou secretário executivo da MUD, Jesús Torrealba.

Segundo pesquisa da empresa Venebarómetro, 68% dos venezuelanos são favoráveis que Maduro deixe o poder e sejam realizadas outras eleições, e 84,1% acham que a situação do país é muito ruim. A Venezuela tem a inflação mais elevada do mundo (180% em 2015) e sofre uma severa escassez de alimentos, medicamentos e outros produtos básicos.

Maduro atribui isso a uma suposta "guerra econômica" dos empresários de direita para derrubá-lo e também à queda dos preços do petróleo, principal fonte de renda do país.