* Com informações da AE
Milhares de venezuelanos foram às ruas nesta quarta-feira para pedir um referendo contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e denunciando o autoritarismo crescente em seu governo. Na capital, Caracas, manifestantes bloquearam a principal rodovia que atravessa a cidade, com palavras de ordem, como: "não à ditadura, sim à democracia". O protesto de grande proporção pegou muitos de surpresa e realçou a grande frustração da população
com a forma que Maduro tem lidado com a crise econômica.
A manifestação ocorre um dia depois do Congresso controlado pela oposição votar pelo início dos processos legais para a retirada de Maduro do poder. Isso depois do governo do presidente suspender uma tentativa da oposição de retirá-lo por meio de um referendo revogatório, o que é permitido pela Constituição.
A ação dos legisladores é em maior parte simbólica, já que a Suprema Corte, que é aliada a Maduro, proibiu o Congresso de passar quaisquer leis ou medidas.
Para muitos venezuelanos, as recentes movimentações do governo fecham qualquer possibilidade de mudar de forma pacífica e democrática o governo e aliviar a inflação de três dígitos e a escassez generalizada.
Já para apoiadores do governo, a oposição está tentando usar os protestos para executar um golpe. Maduro chamou a votação no Congresso na última terça-feira, que aprovou a abertura de um julgamento contra o presidente, de "golpe parlamentar". O presidente convocou todas as autoridades, incluindo o presidente da Assembleia Nacional e o líder da oposição, Henry Ramos, a uma reunião emergencial na tarde desta quarta-feira, em Caracas.
Além disso, a oposição venezuelana convocou uma greve geral de 12 horas para a próxima sexta-feira, em rejeição à suspensão do referendo revocatório contra o presidente Nicolás Maduro. "Convocamos uma greve geral na próxima sexta-feira, todo mundo em suas casas", pediu o secretário-geral da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealbda, ao tomar a palavra em um ato que convocou a milhares de opositores em todo o país.
Parlamento venezuelano vai declarar Maduro em 'abandono do cargo'
A oposição venezuelana anunciou nesta quarta-feira que vai declarar o presidente Nicolás Maduro em "abandono do cargo" e que vai notificá-lo disto após uma marcha ao Palácio de Miraflores, convocada para 3 de novembro.
Assim que o Parlamento aprovar esta declaração, "em 3 de novembro (...), vamos notificar Nicolás Maduro que foi declarado pelo povo venezuelano em abandono do cargo. Vamos fazê-lo em manifestação pacífica, que vai chegar ao Palácio de Miraflores", afirmou o titular da Assembleia Nacional, de maioria opositora, Henry Ramos Allup, da tribuna, durante uma manifestação multitudinária.
Venezuelanos vão às ruas para pedir referendo contra Maduro
Parlamento vai declarar o presidente em "abandono do cargo"