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Venezuelanos vão às urnas sob expectativa de redução da hegemonia chavista

Filas para votar começaram antes da abertura dos pontos de votação

Filas para votar começaram antes da abertura das urnas
Filas para votar começaram antes da abertura das urnas Foto : Juan Barreto/AFP/CP
Descontentes com a crise econômica, os venezuelanos fizeram filas para votar neste domingo em eleições legislativas cruciais nas quais a oposição pode arrebatar o chavismo do controle parlamentar pela primeira vez em 16 anos. Os centros de votação abriram suas portas às 6h locais em 14,5 mil pontos onde o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) instalou cerca de 40 mil mesas.

As filas começaram antes mesmo da aberturas dos locais do pleito. No dia eleitoral que se estenderá por ao menos 12 horas, cerca de 19,5 milhões de eleitores precisam escolher 167 deputados de uma Assembleia Nacional dominada pelo governismo de esquerda desde que, em 1999, Hugo Chávez, falecido em 2013, chegou ao poder. "Respeitaremos os resultados de maneira rígida e impecável", prometeu na noite de sábado o presidente Nicolás Maduro, ao ressaltar que o que o CNE disser será "palavra santa".

Maduro aposta no "voto duro" chavista, mas as pesquisas dão à coalizão opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD, centro-direita) uma vantagem para conquistar ao menos a maioria simples do parlamento que se instalará em 5 de janeiro. "Apesar de serem parlamentares em um regime presidencialista, são muito relevantes: deixarão uma recomposição de forças políticas e permitirão que a vontade de castigo possa se expressar", declarou o analista Nicmer Evans, próximo a Chávez, mas crítico de Maduro.

As eleições parlamentares representam, segundo o cientista político John Magdaleno, a possibilidade de um contrapeso em um Estado cujos poderes, segundo a oposição, estão totalmente controlados pelo governismo. A oposição deseja conquistar a partir do Parlamento uma anistia para presos políticos, entre eles o líder radical Leopoldo López, e uma guinada econômica, sem descartar a busca de uma saída antecipada do presidente. O chavismo promete aprofundar o sistema socialista.

Poucas horas antes da abertura das urnas, o país petrolífero, de 30,6 milhões de habitantes, permanecia sem confrontos, embora em um ambiente marcado pela polarização política, que desta vez tem um novo ator: chavistas irritados com o governo de Maduro.

Ele assumiu o poder em abril de 2013 após a morte de seu mentor e encara, com uma popularidade de 22%, o que, segundo ele, são as eleições "mais difíceis" do chavismo, em meio ao crescente mal-estar pelo elevado custo da vida e pela aguda escassez de alimentos. "Votei por Chávez e por Maduro. Mas estou cansada das mega-filas. Este país está no chão e é hora de mudar", declarou Yadira Balladares, uma camareira de 43 anos, no bairro 23 de Enero, antigo reduto chavista.

A MUD, deixando para trás por enquanto suas divisões históricas, prometeu uma mudança que acabará com as filas e com as "distorções econômicas". O governismo invocou o legado de Chávez e advertiu que se a oposição vencer acabará com os programas sociais.

O governo atribui a crise a uma guerra econômica dos empresários da ultradireita e à queda dos preços do petróleo, que desferiu um duro golpe a este país - que tem as maiores reservas petrolíferas do mundo - onde o petróleo representa 96% das divisas.

A Venezuela encerrará 2015 com uma contração econômica de 10% e uma inflação de 200%, segundo economistas independentes. Um rígido sistema de controle de divisas - com três taxas de câmbio - convive com um mercado negro onde o dólar é cotado 145 vezes mais que o mínimo legal.