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Viagem do Papa à África terá medidas de seguranças extremas

Visita de Francisco mobilizará quase 10 mil policiais

Governos dos dois países anunciaram a mobilização de quase 10 mil policiais em Nairóbi e Kampala
Governos dos dois países anunciaram a mobilização de quase 10 mil policiais em Nairóbi e Kampala Foto : Gabriel Bouys / AFP / CP
As forças de segurança do Quênia, Uganda e República Centro-Africana, países abalados pela violência, finalizam as medidas de segurança para a visita de alto risco de cincos dias do Papa Francisco, que começa na quarta-feira. Quênia e Uganda, que integram a AMISOM (Força da União Africana na Somália), são alvos dos islamitas somalis shebab, aliados da Al-Qaeda.

Os governos dos dois países anunciaram a mobilização de quase 10 mil policiais em Nairóbi e Kampala, as capitais, cidades nas quais o pontífice celebrará grandes missas ao ar livre. "Adotamos todos os dispositivos de segurança, que serão aplicados a partir de sua chegada", disse o chefe de polícia do Quênia, Joseph Boinett. "Envolvem as estradas por onde circulará e os locais de visita e alojamento", completou. 

Mais de 400 pessoas morreram nos atentados executados pelos shebab no Quênia desde setembro de 2013, quando aconteceu o ataque contra o shopping Westgate de Nairóbi, que deixou 67 mortos. Mais de 100 pessoas morreram em vários ataques contra localidades da costa e 148 foram assassinadas por um comando na Universidade de Garissa (leste) em abril de 2015. Em alguns casos, os criminosos liberaram os muçulmanos e mataram apenas os não muçulmanos. Em Uganda, dois atentados mataram 76 pessoas em um restaurante e um bar de Kampala durante a final da Copa do Mundo de 2010.

A ONU anunciou que 300 capacetes azuis baseados na Costa do Marfim serão enviados à República Centro-Africana para apoiar os 12 mil integrantes da MINUSCA (Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana), responsáveis pela segurança durante a visita Papal. A República Centro-Africana, que terá eleições no fim de dezembro, está em guerra civil desde 2013, um conflito que opõe cristãos e muçulmanos.

A segurança continua sendo precária, sobretudo na capital Bangui, onde Francisco deve realizar uma visita de 24 horas e que, de acordo com as circunstâncias, pode ser cancelada. "Veremos, em função da situação no local, se a viagem a Bangui será mantida", declarou recentemente o cardeal Pietro Parolin, número dois do Vaticano. A França alertou que a visita seria "arriscada" e que os 900 soldados franceses presentes no país não teriam condições de garantir a segurança do Papa.

No Quênia, o momento de maior risco será a visita do pontífice ao subúrbio de Kangemi, ao noroeste de Nairóbi, onde 200 mil pessoas moram em condições de miséria. "Ao contrário da visita de Barack Obama (em julho), durante a qual o governo pediu aos quenianos que permanecessem em casa, estimulamos os quenianos a viajar até a cidade para receber o Papa e participar na missa", disse o porta-voz do governo, Manoah Esipisu. "Esperamos que 10% dos católicos quenianos, ou seja, quase 1,4 milhão de pessoas procedentes de todo o país, assistam à missa de Nairóbi", disse o coordenador da visita Papal, monsenhor Alfred Rotich.

As autoridades ugandesas calculam que 100 mil pessoas comparecerão ao Parque da Independência de Kololo, em Kampala, para ouvir o Papa Francisco.