Na manhã de ontem, um jovem atirador assassinou 26 pessoas, incluindo 20 crianças pequenas, em uma escola do ensino fundamental em Connecticut. O porta-voz da polícia estadual, tenente Paul Vance, confirmou que o atirador matou 18 crianças dentro do colégio de Sandy Hook, enquanto duas morreram em um hospital. Também morreram seis adultos e o agressor. As autoridades ainda não esclareceram se o atirador cometeu suicídio ou foi morto em uma ação policial.
O incidente foi o segundo mais grave nos recorrentes tiroteios registrados em centros educacionais dos Estados Unidos. O governador do estado, Dan Malloy, afirmou que "o mal visitou hoje esta comunidade". A escola de Sandy Hook tem 600 alunos com idades entre cinco e 12 anos.
A imprensa local informou que o atirador teria matado o pai em casa e a mãe na escola, onde ela trabalhava. O diretor e a psicóloga do colégio estariam entre as vítimas fatais. A emissora NBC noticiou que o assassino morto era Adam Lanza, de 20 anos, a quem a polícia teria confundido com o irmão mais velho, Ryan Lanza, de 24, cuja carteira de identidade ele estava portando no momento em que invadiu a escola.
O irmão sobrevivente foi levado sob custódia e estava sendo interrogado, segundo várias emissoras de TV. No entanto, não houve confirmação imediata da polícia sobre a identidade do assassino.
Crianças ficaram encurraladas
O massacre começou por volta das 09h30min local e "ocorreu em duas salas", o que sugere que as crianças ficaram encurraladas no local e foram alvo fácil do atirador, disse Vance. Na escola Sandy Hook estudavam cerca de 600 crianças, com entre cinco e 12 anos, incluindo vários filhos de brasileiros. O consulado do Brasil em Connecticut revelou que fez contatos com várias famílias e que não há informação sobre vítimas brasileiras.
Segundo a imprensa local, o atirador utilizou ao menos duas armas, uma pistola Glock e um fuzil Sig Saeur para cometer o massacre na pacata cidade de Newtown.
Obama chora
O presidente americano, Barack Obama, chorou ao revelar que sente uma "tristeza opressiva" pelo massacre em Connecticut, um "crime abominável", e prometeu adotar medidas "significativas" para impedir tragédias envolvendo armas de fogo.
"A maioria daqueles que morreram hoje eram crianças, lindas criancinhas com idades entre 5 e 10 anos", disse Obama na Casa Branca. "Elas tinham a vida toda pela frente, aniversários, formaturas, casamentos, seus próprios filhos".
Durante o discurso, Obama fez várias pausas e respirou profundamente, algumas vezes enxugando as lágrimas que insistiam em rolar.
"Entre os falecidos estão ainda professores, homens e mulheres que devotaram suas vidas a ajudar nossas crianças a realizar seus sonhos. Nossos corações estão partidos hoje por causa dos pais e avós, dos irmãos e irmãs daquelas crianças pequenas e pelas famílias daqueles que estão perdidos".
"Como país, já passamos demais por coisas assim", disse Obama sobre massacres anteriores no Colorado, no Oregon e no Wisconsin. "Estas localidades são nossas, essas crianças são nossas (...). Precisamos nos unir e tomar medidas significativas para evitar que mais tragédias como estas, independente de questões políticas".
O presidente ordenou que a bandeira americana fique a meio-mastro na Casa Branca, nos prédios federais e nos complexos militares em memória das vítimas do massacre.