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Virgínia Raggi é eleita primeira prefeita de Roma

No primeiro turno, candidata obteve 35% dos votos

No primeiro turno, candidata obteve 35% dos votos
No primeiro turno, candidata obteve 35% dos votos Foto : Tiziana Fabi / AFP / CP
 A advogada Virgínia Raggi, de 37 anos, foi eleita prefeita de Roma, neste domingo, em uma vitória que representa um duro golpe para o governo de Matteo Renzi.

Com 80% das urnas apuradas, a candidata do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) aparece com 67% dos votos, bem à frente de Roberto Giachetti, apoiado pelo Partido Democrático (PD, centro-esquerda) de Renzi. No primeiro turno, Virgínia obteve 35% dos votos. O M5S foi fundado pelo humorista Beppe Grillo em 2009.



Em Turim (noroeste da Itália), outra novata do MS5, Chiara Appendino, de 31 anos, destronou com cerca de 54% o veterano prefeito em final de mandato Piero Fassino, do PD. "Fizemos história", comemorou Chiara, em sua conta no Twitter.

Já em Milão (norte), a capital econômica do país, o candidato do PD Giuseppe Sala venceu a disputa com mais de 51% dos votos, segundo resultados quase definitivos.

O partido de Renzi manteve Bolonha (centro do país), um histórico reduto eleitoral da esquerda, mas, em Nápoles, a sigla sequer chegou ao segundo turno. Lá, o prefeito em final de mandato, Luigi De Magistris, um atípico político de esquerda e inimigo de Renzi, voltou a ser o mais votado. Na última sexta-feira, De Magistris anunciou a fundação de um novo movimento de esquerdas, após as eleições.

As seções eleitorais abriram as portas às 7h locais (2h, horário de Brasília) e encerraram suas atividades às 23h (18h, horário de Brasília) em 126 municípios. Cerca de 9 milhões de eleitores eram esperados para votar. De acordo com uma primeira estimativa do Ministério do Interior italiano, a participação chegou a pouco mais de 50%.

"Hoje é algo muito especial. Temos a sorte de ter alguém novo que poderá mudar as coisas. Todos os outros fracassaram. Espero que eles consigam", disse à AFP o aposentado Aldo, de 72 anos, que votou no M5S em Roma.

Há semanas, Matteo Renzi tenta minimizar o impacto do já esperado mau desempenho de seu partido nas eleições municipais, garantindo que seu único objetivo é o referendo de outubro sobre a reforma constitucional. O primeiro-ministro já anunciou que, em caso de derrota nessa consulta, renunciará ao cargo.

Os resultados deste domingo devem confirmar o avanço do M5S, movimento que se tornou, em 2013, o segundo maior partido da Itália, com 25% dos votos nas eleições legislativas. Seu discurso de denúncia sistemática da corrupção política continua a angariar adesões.

Ruptura do sistema

A denúncia da corrupção foi a palavra de ordem da campanha de Virgínia Raggi. Ela não divulgou, porém, muitos detalhes de seu programa para reduzir a enorme dívida da cidade (12 bilhões de euros). Tampouco antecipou nomes de sua futura equipe.