O Departamento de Justiça chegou a um acordo nesta sexta-feira com as autoridades de Washington sobre o controle da força policial da capital dos Estados Unidos para, segundo o presidente Donald Trump, combater a criminalidade. O acordo foi produto de uma audiência em um tribunal federal realizada após o procurador-geral de Washington, Brian Schwalb, processar a administração de Trump por aquilo que chamou de uma tomada de controle 'hostil' do corpo policial da cidade.
Nesta semana, o presidente republicano colocou a polícia metropolitana da capital sob o controle do governo federal e enviou a Guarda Nacional às ruas da cidade. Logo depois, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, emitiu uma ordem para designar um funcionário selecionado por ela, o chefe da Administração de Controle de Drogas (DEA, em inglês), Terry Cole, como comissário policial temporário. Em resposta à decisão de Bondi, Schwalb pediu uma ordem de restrição temporária contra a medida e solicitou à Corte que declare que a ordem executiva de Trump ultrapassa sua autoridade sobre o Distrito de Columbia.
Schwalb alegou que, ao declarar hostil a tomada de controle do Departamento de Polícia Metropolitana (MPD, em inglês), “a administração está abusando de sua autoridade limitada e temporária sob a Lei de Autonomia Local, infringindo o direito de autogoverno do Distrito e colocando em risco a segurança" dos habitantes e visitantes de Washington. “Isso é uma afronta à dignidade e à autonomia de 700 mil americanos que chamam Washington de lar”, acrescentou.
Na audiência desta sexta-feira à tarde, a juíza distrital Ana Reyes pediu a ambas as partes que chegassem a uma solução, e todos concordaram que Cole, em vez de assumir o controle direto do MPD, desse suas diretrizes 'através do prefeito'. "O Sr. Cole não poderá ordenar que os funcionários do departamento de polícia façam nada”, disse Reyes. Schwalb acolheu o acordo em uma coletiva de imprensa após a audiência.
"Espero que a questão-chave em relação ao controle e à direção do nosso MPD tenha sido resolvida hoje e que esteja claro que, no âmbito legal, está sob o chefe de polícia nomeado pelo prefeito”, indicou. “Não precisamos de uma tomada hostil por parte do governo federal para fazer o que fazemos todos os dias”, frisou.