Ela se recusou, no entanto, a apresentar detalhes sobre o conteúdo das mensagens "até que sejam publicadas" e deu a entender que, por sua amplitude, o processo pode demorar algum tempo. A organização terá a colaboração de parceiros nos Estados Unidos, Líbano, Egito, Alemanha, França, Itália e Espanha.
O anúncio foi feito um dia depois de a Rússia ter negado um debate com Washington sobre a oferta de asilo para Bashar al-Assad e um dia antes de um encontro em Paris dos "Amigos da Síria", grupo de países que apoiam ações mais rígidas contra o regime. De acordo com o WikiLeaks, 2.434.899 e-mails são de ministros sírios, incluindo os das pastas das Relações Exteriores, Finanças e Assuntos Presidenciais. Cerca de 400 mil mensagens estão em árabe e 68 mil em russo.
O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, anunciou em um comunicado oficial divulgado da embaixada do Equador, onde está refugiado desde 19 de junho à espera de uma resposta de Quito sobre o pedido de asilo político, que o novo material é "embaraçoso". "O material é embaraçoso para a Síria, mas também é embaraçoso para os opositores externos da Síria", disse o australiano de 41 anos.
"Ele não nos ajuda apenas a criticar um grupo ou outro, mas a compreender seus interesses, ações e pensamentos. Somente entendendo o conflito poderemos trazer uma solução", acrescenta. Por outro lado, Assange permanece na embaixada do Equador para evitar uma extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais contra duas ex-voluntárias do WikiLeaks. Ele nega as acusações e alega que elas têm motivação política.
O primeiro documento revela, segundo o WikiLeaks, que a gigante italiana de defesa Finmeccanica tem fornecido equipamentos de comunicação para o regime sírio desde o início do conflito. O sistema foi proporcionado pela Selex Elsag, subsidiária da Finmeccanica, informa o documento, publicado na revista italiana L'Espresso.
O presidente sírio Bashar al-Assad enfrenta desde março 2011 uma revolta popular cada vez mais parecida com uma guerra civil e que provocou mais de 16 mil mortes, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede em Londres.
O WikiLeaks provocou uma grande indignação do governo dos Estados Unidos depois da publicação de centenas de milhares de documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e 250 mil telegramas confidenciais do Departamento de Estado.