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Zelaya pede que Congresso aprove sua volta "sem jogos sujos"

Manifestante se reuniram em frente ao parlamento hondurenho para pedir fim do recesso

Manifestante se reuniram em frente ao parlamento hondurenho para pedir fim do recesso
Manifestante se reuniram em frente ao parlamento hondurenho para pedir fim do recesso Foto : AFP
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu que o Congresso aja "sem jogos sujos" nem demora para restituí-lo ao poder. Ele divulgou em um comunicado dirigido aos hondurenhos e à comunidade internacional que os deputados devem atuar com responsabilidade e agilidade para reverter o golpe de estado e respeitar o "espírito" do acordo Tegucigalpa-San José, firmado na semana passada com o objetivo de encerrar o impasse político no país. "Qualquer interpretação fora deste contexto constituiria uma nova afronta ao povo hondurenho e à comunidade internacional", acrescentou.

O presidente do Congresso de Honduras, José Alfredo Saavedra, informou que os dirigentes da instituição conhecerão ainda hoje as diretrizes do acordo - que, entre outras coisas, encarrega os deputados de decidirem sobre a restituição de Zelaya à presidência. O Congresso foi a instituição responsável por elaborar o decreto que retirou Zelaya do poder em 28 de junho. O governo de facto divulgou em um comunicado que o acordo não obriga o Congresso a debater o tema em uma data específica.

Saavedra, durante uma entrevista à rádio HRN, declarou que distribuiu cópias do acordo Tegucigalpa-San José para os demais dirigentes do Congresso. Segundo ele, "uma vez que tenhamos conhecimento do alcance e da dinâmica deste acordo e que os membros da junta diretiva também tenham esse conhecimento, vamos definir qual rota seguir". O governo de facto afirmou que "o ponto nove (do acordo) é absolutamente claro e não faz referência a uma data fixa para que o Congresso resolva" o tema.

Aproximadamente 200 manifestantes reuniram-se perto do Congresso de Honduras para pressionar os deputados a aprovar o retorno de Zelaya à presidência. Os membros do legislativo estão em recesso. "Queremos que o nosso presidente volte e resolva a pobreza que existe", disse o desempregado Juan Sánchez, 55 anos, que chegou de uma aldeia e não pretende deixar o local "até que as coisas sejam resolvidas".

Zelaya disse no fim de semana que espera voltar à presidência antes de quinta-feira, mesmo dia no qual, segundo o acordo, deve instalar-se em Honduras o governo de reconciliação nacional, que respeitará as eleições presidenciais de 29 de novembro e também transferirá o poder ao vencedor do pleito em 27 de janeiro. O presidente deposto disse a uma rede de televisão que, uma vez de volta ao poder, não fará uma caçada contra seus adversários, como sugeriu o líder do governo de facto, Roberto Micheletti. "Isso me faz rir. É como se o lobo pedisse garantias às ovelhas", afirmou.