O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, denunciou nesta segunda-feira (19) que o país não recebeu alerta prévio dos aliados ocidentais antes de um novo ataque com mísseis balísticos russos durante a madrugada.
Segundo o mandatário, as forças de Moscou dispararam 16 mísseis balísticos em várias ondas contra Kiev e a região periférica, onde correspondentes da AFP registraram o soar de sirenes e explosões. A queixa repete episódios da semana passada, quando autoridades ucranianas apontaram que Washington não notificou sobre investidas similares, impedindo a população de buscar abrigo a tempo.
Em reação, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou qualquer interrupção na transmissão de dados estratégicos. Durante visita oficial a Samarkand, no Uzbequistão, o secretário de Estado declarou que não houve pausa no compartilhamento de informações com Kiev, contrariando a fala de Zelensky de que o serviço teria sido restabelecido após uma interrupção.
O líder ucraniano havia citado ainda que o sistema de internet via satélite Starlink, operado pela empresa SpaceX de Elon Musk e essencial para a defesa militar do país, sofreu instabilidades na última semana.
Tensões com a Casa Branca e ofensiva diplomática de Trump
Além de rebater as queixas sobre inteligência, Marco Rubio cobrou que o presidente ucraniano concentre esforços para encerrar o conflito armado. A declaração alinha-se ao tom de críticas do presidente norte-americano, Donald Trump, que voltou a usar sua rede social Truth Social para atacar o líder ucraniano.
Trump afirmou ter obtido avanços nas conversas de paz com Moscou e assegurado um acordo para garantir exportações de diesel em troca do afrouxamento de sanções à Rússia. No entanto, o republicano acusou Zelensky de não querer o fim das hostilidades devido ao volume de recursos financeiros fornecidos pela Europa. Isso ocorre em meio a um momento de tensão com Trump.
Zelensky rebateu as acusações de Trump nas redes sociais, afirmando que a Ucrânia jamais quis a guerra e que apoiou todas as iniciativas dos países parceiros para alcançar o fim dos combates de forma digna. A controvérsia ocorre em meio à viagem de Rubio pela Ásia Central para ampliar parcerias comerciais e a disputa por recursos naturais com a China, com comissões agendadas no Uzbequistão e, em seguida, na Índia.