A soberania da Ucrânia deve ser plenamente respeitada em um futuro acordo para encerrar a guerra com a Rússia, afirmaram autoridades americanas e ucranianas em meio às negociações de paz em Genebra.
As conversas se concentraram em um plano americano de 28 pontos, cujo objetivo é encerrar o conflito de quase quatro anos provocado pela invasão russa.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou, em postagem na rede social X, que a diplomacia foi revigorada, salientando que espera que o resultado traga os passos certos. "A Ucrânia nunca quis a guerra e nunca seremos um obstáculo à paz", escreveu.
"A prioridade número um é uma paz sólida, segurança garantida, respeito ao nosso povo e respeito a todos que deram suas vidas defendendo a Ucrânia da agressão russa", completou.
Zelensky disse ainda que milhões de ucranianos apoiam claramente a posição do Estado. "Há um apoio firme à nossa independência e à soberania ucraniana. O povo deve se beneficiar de todas as decisões políticas".
Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, confia na superação de pontos pendentes do acordo. "Fizemos progressos enormes. Posso dizer que as questões pendentes não são insuperáveis, apenas precisamos de mais tempo", disse, antes de ressaltar que os russos terão “voz no assunto”.
Representantes dos Estados Unidos e da Ucrânia afirmaram que a reunião examinou uma nova versão do plano.
Rustem Umerov, membro da delegação ucraniana e que coordena o Conselho de Segurança do país, destacou que a nova versão do plano americano reflete "a maioria das prioridades" de Kiev.
O presidente americano, Donald Trump, havia dado um prazo até 27 de novembro para o homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, responder à proposta, mas indicou no sábado que o plano não era sua "última oferta". Rubio insinuou que havia uma certa flexibilidade em relação ao cronograma.
Rubio também deu a entender que havia certa flexibilidade em relação ao calendário. "Queremos que isto seja feito o mais rápido possível. Obviamente, gostaríamos que fosse na quinta-feira", declarou.
Nova versão
A versão inicial do documento foi recebida com satisfação pelo presidente russo, Vladimir Putin, ao retomar várias exigências de Moscou, como que a Ucrânia ceda território, aceite reduzir o tamanho do seu Exército e desista de ingressar na Otan.
Paralelamente, oferecia garantias de segurança ocidentais a Kiev para evitar um novo ataque russo.
Mas, segundo um comunicado conjunto dos Estados Unidos e da Ucrânia ao final das discussões de domingo, os dois países redigiram "uma nova versão, refinada, de um marco (para um acordo) de paz".
Na nova versão, Washington e Kiev "reafirmaram que qualquer acordo futuro deverá respeitar plenamente a soberania da Ucrânia", segundo o breve texto divulgado pela Casa Branca.
A nota indica que "as negociações têm sido construtivas, centradas no objetivo e respeitosas, insistindo no compromisso comum de alcançar uma paz justa e duradoura".
Zelensky disse no domingo que está "pessoalmente" agradecido a Trump, após o líder americano acusar a Ucrânia de ingratidão diante dos seus esforços para encerrar a guerra.
"Os líderes ucranianos expressaram zero gratidão pelos nossos esforços", escreveu Trump na sua rede Truth Social.
Novo ataque russo
Apesar das negociações, as forças russas atacaram a cidade ucraniana de Kharkiv, onde quatro pessoas morreram e 17 ficaram feridas.
"As circunstâncias são realmente horríveis quando, apesar das negociações, as tropas russas estão atacando alvos civis, infraestrutura civil, edifícios residenciais, quando pessoas estão morrendo", declarou o prefeito de Kharkiv, Igor Terekhov.
Em Genebra, as delegações americana, ucraniana e de outros países europeus multiplicaram suas reuniões. Os europeus tentam não ficar afastados das negociações.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu que a União Europeia (UE) tenha um "papel central" em um plano de paz para a Ucrânia. Já o chefe de governo alemão, Friedrich Merz, expressou ceticismo em relação a um acordo antes de 27 de novembro. Ele disse ter apresentado uma proposta que poderia permitir "ao menos um primeiro passo na quinta-feira".
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que não era necessário apresentar uma "contraproposta completa" ao plano americano.
Trump e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, concordaram hoje, por telefone, que era importante trabalharem todos juntos "neste momento crítico" para o futuro da Ucrânia, segundo Downing Street.
Uma reunião sobre a Ucrânia está programada para esta segunda-feira entre os líderes dos países da UE e o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou para terça-feira uma videoconferência entre os países que apoiam Kiev.