A médica pediatra e sanitarista fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, morreu no terremoto de 7.3 graus de magnitude que atingiu Porto Príncipe, capital do Haiti, na noite da terça-feira. A informação é do gabinete do senador Flávio José Arns, que recebeu a confirmação da Presidência da República.
A líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti, disse que a informação é de que Zilda estava nas ruas de Porto Príncipe no momento do terremoto e teria sido "atingida por algo". No Palácio do Planalto, a mobilização de ministros e assessores do presidente “é total”, afirmou Ideli.
A médica viajou neste final de semana para encontro missionário em uma entidade chamada CIFOR.US e estava hospedada na sede episcopal. De acordo a sua assessoria, ela estava no Haiti para levar a metodologia de atendimento da Pastoral da Criança no combate à desnutrição.
"Ela morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou", comentou hoje o irmão de Zilda, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo. O corpo da médica será trazido para o Brasil do Haiti em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). O velório e enterro serão em Curitiba, onde moram os quatro filhos da médica. D. Arns já informou que não poderá comparecer e pediu que d. Pedro Stringhini, bispo de Franca, o represente.
O governador do Paraná, Roberto Requião, que está em Brasília, decretou luto oficial de três dias no Estado pela morte de Zilda Arns. Requião afirmou que perdeu uma grande amiga, e sua morte representa grande perda para o Brasil e dor para os amigos.
Zilda Arns nasceu em 25 de agosto de 1934, em Forquilinha, em Santa Catarina. Era médica especializada em Saúde Pública e durante sua vida desenvolveu trabalhos focados em mortalidade infantil, desnutrição e violência de crianças pobres em seu contexto familiar e comunitário. Era fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, organismo de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Auxílio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta manhã a morte da coordenadora. Oito aeronaves da FAB estão sendo preparadas, no Rio de Janeiro e em Manaus, para levar água e alimentos às vítimas do terremoto. De acordo com a FAB, os aviões são do modelo C-130 Hércules (três), Boeing 707 e C-105 Amazonas (quatro). Ontem, uma aeronave da FAB que transportava militares do próximo contingente para o Haiti não conseguiu pousar em Porto Príncipe, tendo retornado a Boa Vista, no Acre.
Vítimas
Além da médica, o Comando do Exército confirmou a morte de pelo menos quatro militares brasileiros, entre eles o gaúcho Bruno Ribeiro Mário, que era 1º tenente. Além dele, morreram também o 2º sargento Davi Ramos de Lima, o soldado Antônio José Anacleto e o soldado Tiago Anaya Detimermani. Todos trabalhavam no 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).
Bruno Ribeiro Mário tinha 26 anos e era natural de São Gabriel. Ele serviu no Exército em Santa Maria e foi transferido para Lorena há quatro anos. Há sete meses, estava no Haiti. Ele deixou o pai, capitão reformado no Exército, a mãe, dona-de-casa, e a irmã, de 22 anos, estudante de Nutrição.
Terromoto
O terremoto de magnitude 7 graus, que ocorreu na terça-feira, provocou a queda de prédios e eixou moradores sob escombros. A Embaixada do Brasil em Porto Príncipe sofreu sérios abalos, mas não houve vítimas entre os funcionários brasileiros. De acordo com informações do Itamaraty, algumas instalações militares da ONU (Organização das Nações Unidas) sofreram danos.
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Zilda Arns morre no terremoto do Haiti
Fenômeno de 7.3 graus de magnitude atingiu Porto Príncipe na noite da terça-feira