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ONU adverte sobre riscos de pedido do FBI para desbloqueio de iPhone

Informações ajudariam na investigação do atentado em São Bernadino

Informações ajudariam na investigação do atentado em São Bernadino
Informações ajudariam na investigação do atentado em São Bernadino Foto : Philippe Huguen / AFP / CP
"Forçar a Apple a criar programas informáticos para minar os elementos de segurança de seus próprios telefones" pode ter "consequências negativas para os direitos humanos", afirmou nesta sexta-feira o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O FBI, polícia federal dos Estados Unidos, pediu à Apple, mediante uma ordem judicial, que o ajude a ter acesso aos dados de um telefone iPhone de um dos autores do massacre de San Bernardino (Califórnia), que deixou 14 mortos. No dia 25 de fevereiro, a Apple solicitou a um tribunal federal dos Estados Unidos que rejeitasse esta ordem.

"Com o objetivo de resolver um tema de segurança relacionado à encriptação em um caso, as autoridades correm o risco de abrir uma Caixa de Pandora com implicações extremamente prejudiciais para os direitos humanos de milhões de pessoas, incluindo sua segurança física e financeira", disse Zeid Ra'ad Al Hussein, em um comunicado divulgado em Genebra. "Um caso bem-sucedido contra a Apple nos Estados Unidos abrirá um precedente que pode tornar impossível para a Apple ou para qualquer outra grande companhia informática internacional proteger a privacidade de seus clientes em qualquer lugar do mundo", acrescentou.

Apoio ao FBI


Al Hussein afirmou que o FBI merece apoio total nas investigações sobre o massacre de San Bernardino. "Reconheço que este caso está longe de chegar a uma conclusão nos tribunais e convoco todos os envolvidos a considerar não apenas os méritos do caso em si, mas também seu impacto potencialmente mais amplo", disse declaração. "As ferramentas de encriptação são amplamente utilizadas em todo o mundo, inclusive pelos defensores de direitos humanos, sociedade civil, jornalistas, informantes e dissidentes políticos que enfrentam perseguição", lembrou.

Atualmente, apenas o dono destes telefones considerados invioláveis dispõe da chave de encriptação. A Apple não quer fabricar um programa que permita a terceiros ter acesso aos dados de seus clientes, ainda que a solicitante seja a justiça. No dia 25 de fevereiro, a Apple pediu a um tribunal federal dos Estados Unidos que desconsiderasse a ordem judicial que exige que a empresa colabore com o FBI no desbloqueio do iPhone.

Uma petição apresentada em um tribunal da Califórnia no caso que envolve um dos agressores do ataque de San Bernardino afirma que a ordem judicial extrapola a faculdade legal do governo e viola os direitos constitucionais de liberdade de expressão da Apple. 

"Não é um caso que concerne um só iPhone. Esse assunto diz respeito sobretudo ao Departamento de Justiça e ao FBI, que buscam obter através da justiça um perigoso poder que o Congresso e o povo americano os negaram: a capacidade de obrigar empresas como a Apple a trair os interesses fundamentais em matéria de segurança e proteção da privacidade de centenas de milhões de indivíduos em todo o mundo", afirmou a Apple no documento que apresentou à justiça.