Polícia

"É excruciante estar aqui", diz vítima de réu por disparo de pistola em shopping de Porto Alegre

Caso ocorreu em dezembro de 2019, após uma discussão que sucedeu uma corrida de kart na zona Norte da Capital

Homem baleado após discussão em pista de kart depõe em júri
Homem baleado após discussão em pista de kart depõe em júri Foto : Marcel Horowtiz / CP

Ocorre nesta quinta-feira o júri do empresário acusado por disparar uma pistola dentro do estacionamento de um shopping da zona Norte de Porto Alegre. O crime ocorreu em dezembro de 2019, após um bate-boca ocorrido em uma corrida de kart. Um homem foi baleado, mas sobreviveu.

O réu responde em liberdade. Ele é acusado por três tentativas de homicídio triplamente qualificado: motivo fútil (devido a uma discussão banal após uma corrida de kart), perigo comum (por haver outras pessoas no local) e recurso que dificultou a defesa (vítimas desarmadas e surpreendidas). Além do homem alvejado, segundo a denúncia do Ministério Público, houve também tentativas contra outros amigos da vítima.

Na época dos fatos, ainda de acordo com a acusação, dois grupos de amigos discutiram por conta de uma manobra dentro da pista de kart. Após a briga, o réu, que tinha porte de arma, teria ido até o seu veículo, onde pegou uma pistola calibre 380.

Nesta manhã, o homem atingido pelo disparo foi ouvido na 1ª Vara do Júri de Porto Alegre. O depoimento ocorreu sem a presença do réu, porque a vítima alegou que a presença dele seria intimidadora e que ainda sofre com traumas por conta do episódio.

"Estar aqui é excruciante. A mera convocação do júri bastou para me desestabilizar. Foi um período terrível em minha vida. Na época, enquanto eu me recuperava do ferimento, precisei da ajuda dos meus pais para as atividades mais básicas, como tomar banho e ir ao banheiro”, lamentou a vítima.

De acordo com o advogado Vitor Peruchin, que representa o acusado, a situação foi um caso de legítima defesa. Ele sustenta que o cliente efetuou os disparos porque se sentiu ameaçado após ter sido agredido.

Enquanto prestava depoimento, o homem baleado admitiu que empurrou o réu após a discussão na pista de kart. Vitor Peruchin questionou se ele estava arrependido desse ato, mas o outro não soube responder. “Não sei responder isso. Me arrependo de ter ido ao shopping naquele dia”, disse a vítima ao advogado.

Ao longo da sessão, serão ouvidas as três vítimas, o réu, uma testemunha de acusação e cinco de defesa. O júri está previsto para se estender até o final da noite ou, no máximo, no início da madrugada de sexta-feira.