A inquilina Ana Maria Abreu Fagundes, 65 anos, esperava para ser ouvida e fazer o exame de lesão. Nervosa, não conseguia conter as lágrimas. Ela afirmou que lhe agarraram pelo braço e lhe jogaram para fora da casa. Conforme a idosa, cerca de seis guardas municipais, armados, participaram da ação. Ela reclama que os moveis foram quebrados e atirados na rua, apesar de alguns ainda terem ficado dentro da residência. “Eles me mandaram calar a boca, senão me atiravam no meio da rua”, contou a idosa. “Jamais imaginei passar o que estou passando, não sei nem para onde vou”. Segundo ela, ainda ficaram na casa eletroeletrônicos pertencentes à filha que mora com ela. A idosa residia com a filha de 31 anos, duas crianças, de 9 e 11 anos, e um filho de 24.
José Alimena afirmou não ter ocorrido agressões a idosa e que ela já havia sido notificada que teria de deixar o imóvel. O procurador Armando Domingues, presidente da Associação dos Procuradores de Município de Porto Alegre, alegou que não ser preciso recorrer ao poder Judiciário para exercer o poder de Polícia. “É inerente a nossa função”, ressaltou Domingues. “Já fiz desocupações onde derrubamos a porta, retiramos os pertences e depois uma retroescavadeira, que nos acompanhava, derrubou a construção”, recordou Domingues, para sustentar o acerto da operação.
O representante da Fasc, Dulcimar Portella, afirmou que ninguém tocou em Ana Maria. Ela, segundo ele, iria receber 5 meses de “aluguel social” - que vai de R$ 200 a R$ 400 -, e ficaria uns três dias em um dos albergues da instituição, até a liberação o benefício e, posteriormente, ela seria inserida no programa do Demhab para conseguir uma casa. “A moradia onde ela está corre risco de desabar”, afirmou Portella. “Além disso, ela já foi notificada no ano passado que teria de deixar a casa”.