Polícia

"A pior coisa que poderia acontecer com um ser humano", lamenta pai de Ronei

Audiência sobre morte de jovem de 17 anos agredido em festa durou mais de 10 horas em Charqueadas

Nove réus e sete menores citados compareceram à audiência
Nove réus e sete menores citados compareceram à audiência Foto : Alina Souza
A audiência do processo criminal da morte de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, de 17 anos, morto em agosto do ano passado, ocorreu ao longo desta quarta-feira no Fórum de Charqueadas. Foram ouvidas 19 testemunhas de acusação. O pai do adolescente foi o primeiro a depor. Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro se emocionou diversas vezes ao recordar o fato. “A pior coisa que poderia acontecer com um ser humano já aconteceu comigo”, lamentou ao se referir sobre a perda do filho. Ele reconheceu um dos agressores e relatou estar sofrendo ameaças.

O prédio do Fórum ficou isolado e monitorado por policiais e agentes da Susepe. Nove réus e os sete menores citados por envolvimento no caso – quatro deles já cumprindo medida socioeducativa na Fase – estavam presentes. O jovem morreu por traumatismo craniano depois que ele, o pai e um casal de amigos foram agredidos na saída de uma festa da turma da escola.

Faleiro não conseguiu conter a emoção nos momentos em que relatava o estado do filho após a agressão. “Quando consegui arrancar o carro, olhei pelo retrovisor e vi meu filho jogado no porta-malas todo ensanguentado. Se o carro não tivesse arrancado acredito que eles responderiam por outros óbitos”, afirmou. Ele garantiu não ter percebido o risco de briga ao chegar para buscar o filho na festa. “A minha percepção ao chegar no local da festa foi de que o ambiente era tranquilo, normal de fim de festa".

Faleiro relatou que entrou no clube para ver se o filho estava pronto e quando saíram, ao descer o terceiro degrau do prédio, foram atacados pelas costas. Ronei Faleiro Jr. e o casal de amigos entraram no carro para tentar escapar, mas seguiram sendo agredidos por um grupo de 15 a 20 pessoas, afirmou o pai. O adolescente chegou a ser levado para o hospital Santo Antônio de Porto Alegre, mas morreu no local.



O casal de amigos também prestou depoimento ainda durante a manhã. De acordo com eles, não houve desentendimento dentro da festa, apenas um aviso do que poderia ocorrer, visto que o menino, também de 17 anos, é morador de São Jerônimo. Os acusados fazem parte de um grupo conhecido como “Aba reta”, que mantém uma rixa com os moradores da cidade vizinha. Esse foi o motivo citado pelas outras testemunhas. Alguns dos menores ouvidos disseram não saber a motivação para o início das agressões. O jovem reconheceu cinco dos réus como participantes da ação. A namorada também disse estar sofrendo ameaças de um dos menores absolvidos recentemente.

O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Machado Reis, esteve no local. De acordo com ele, todos os réus tinham ciência da ação. “Eles tinham domínio de tudo o que estava acontecendo. Eles giravam em torno do carro e tinham uma visão do todo”, avaliou. O policial disse ainda que o veículo estava amassado e com sangue e cacos de vidro em todo o interior do carro.

O relato de 50 testemunhas de defesa foi marcado para o dia 25 de janeiro. Do lado de fora, parentes e amigos de Ronei, com camisetas e faixas em homenagem ao adolescente, fizeram um abraço simbólico no prédio do Fórum.

O Caso

Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior estava em uma festa no Clube Tiradentes para arrecadação de fundos para sua formatura. Segundo testemunhas, ainda durante a festa, o namorado de uma amiga teria recebido ameaças e ele ofereceu carona para os dois. Conforme haviam combinado, o pai do jovem foi buscá-lo. Ao chegar ao local, por volta das 5h, o pai desceu do carro e entrou no clube para chamar o filho.

Ao sair começaram a ser agredidos e correram para o interior do automóvel. Ronei foi atingido por chutes, socos, garrafadas e golpeado com cacos de vidro. O pai de Ronei também foi agredido com uma garrafada e um chute, mas conseguiu entrar no carro e levou o filho até o Hospital de Charqueadas. O adolescente chegou a ser encaminhado para o Hospital Santo Antônio, em Porto Alegre, mas não sobreviveu a um traumatismo craniano.