Polícia

Acusado de matar adolescente em Canoas admite crime, mas nega premeditação: "Me desesperei"

Ex-namorado confessa homicídio de Júlia de Mello, de 17 anos

Os três réus acusados de envolvimento na morte de uma adolescente, de 17 anos, e na tentativa de homicídio de outra adolescente, grávida de seis meses, são julgados por júri popular, em Canoas
Os três réus acusados de envolvimento na morte de uma adolescente, de 17 anos, e na tentativa de homicídio de outra adolescente, grávida de seis meses, são julgados por júri popular, em Canoas Foto : Camila Cunha

Ocorre nesta terça-feira, na 1ª Vara Criminal de Canoas, o júri dos três acusados de envolvimento na morte de Júlia de Mello, aos 17 anos, em fevereiro de 2021, no bairro Guajuviras. Eles também são réus por tentativa de homicídio de outra jovem, grávida na época dos fatos, amiga de Júlia. O julgamento, presidido pelo juiz Bruno Barcellos de Almeida, seguia em fase de debates no momento desta publicação.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), as vítimas foram atraídas por meio de mensagens e ligações feitas por um dos réus, utilizando o celular de outro, sob o pretexto de uma suposta conversa. Elas teriam chegado ao local em um carro de aplicativo, acompanhadas de uma terceira amiga, que desistiu de permanecer ao perceber a presença dos acusados.

O promotor Eugênio Paes Amorim, à frente da acusação, diz que um dos réus, Richard Campanel da Silva Staziacki, ex-namorado de Júlia, efetuou os disparos que causaram sua morte, motivado por ciúmes e pela recusa dela em retomar o relacionamento.

Na sequência, ainda segundo o promotor, outro réu teria recebido a arma e atirado contra a amiga dela, mesmo sabendo que a adolescente estava grávida de seis meses. “A tentativa de homicídio tinha o objetivo de eliminar testemunhas do primeiro crime”, disse Amorim.

Richard e outro réu estão presos preventivamente. Eles prestaram depoimento em plenário. O terceiro acusado, também recolhido no sistema prisional, foi ouvido por vídeo chamada por questões de saúde.

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Representado pela advogada Natália Miranda, Richard assume ter disparado contra a ex, mas nega que o assassinato tenha sido premeditado. Ainda confessou que integrava uma facção. Os outros réus, defendidos pelas advogadas Júlia Monteiro e Pâmela Aquino, negam participação nos crimes.

"Chamei ela para conversar. Me disseram que ela tinha repassado informações minhas para rivais. Estranhei que ela aceitou o convite de forma rápida. Também estava preocupado pelo fato do nosso encontro ter sido marcado na área de outra facção. Acabei me desesperando e tive essa atitude”, disse Richard.