O trio, que está preso desde abril de forma preventiva, também é acusado pelas mortes de Giselly Helena da Silva, de 31, e Alexandra Falcão da Silva, de 20, em fevereiro e março deste ano, na cidade de Garanhuns, no agreste pernambucano. A defesa de Jorge Negromonte pediu o exame mental para seu cliente e a juíza resolveu estender para todos os réus.
De acordo com a promotora do Ministério Público estadual, Eliane Gaia, se eles forem considerados sãos, se submeterão a julgamento, com penas previstas de 24 a 26 anos cada. A acusação é de homicídio quadruplamente tipificado - por motivo fútil, dificuldade de defesa da vítima, meio cruel - além de ocultação de cadáver e vilipêndio (o corpo da vítima foi ultrajado depois da morte). Caso contrário, terão tratamento diferenciado: serão levados para um manicômio, com avaliações anuais. Não há previsão para a realização e o resultado dos exames.
Na audiência estão previstos os depoimentos de 20 testemunhas, mas o Tribunal de Justiça não informou quantas seriam da defesa e quantas da acusação. Serão quatro os advogados de defesa: Paulo Henrique Melo, Rannieri Aquino, Edmilson Francisco e Luiz Carlos Lopes.
Mortes
As investigações policiais sobre o caso começaram depois que a família de Giselly Helena da Silva, de 31 anos, uma das três vítimas, denunciou seu desaparecimento. A polícia chegou até os acusados após rastrear o cartão de crédito da mulher, usado após seu desaparecimento em várias lojas de Garanhuns, no agreste pernambucano. Jorge Silveira, Isabel Cristina e Bruna Cristina moravam em Garanhuns.
A polícia encontrou no quintal da residência do casal os corpos enterrados de duas de suas vítimas: Alexandra Falcão da Silva, de 20 anos, e Giselly. Ambos os corpos apresentavam sinais de esquartejamento. O crime, no entanto, ganhou destaque fora do estado após os acusados terem dito que consumiam porções da carne das vítimas e da pele, como forma de "purificação da alma". Os três relataram à polícia serem seguidores de uma seita chamada "Cartel", anticapitalista e contra o crescimento populacional. Além disso, eles afirmaram em depoimento que retiravam parte das coxas, nádegas, panturrilha e fígado das vítimas e as acondicionavam na geladeira. Isabel, que vendia salgadinhos nas ruas da cidade, disse ter usado algumas vezes carne das vítimas para rechear empadinhas.
Os três assumiram também a responsabilidade pela morte de Jéssica Camila da Silva Pereira, de 22 anos, no município de Olinda. Ela teria sido assassinada e enterrada em 2008. Eles teriam ficado com uma criança, filha da vítima, que, informaram, também chegou a consumir carne humana.