Polícia

Advogado de suspeito de mandar matar mulher pedirá novo depoimento em Canoas

Defesa alega que marido não poderia ter sido interrogado por oito horas sem presença de representante jurídico

Defesa alega que marido não poderia ter siso interrogado por oito horas sem presença de representante jurídico
Defesa alega que marido não poderia ter siso interrogado por oito horas sem presença de representante jurídico Foto : Álvaro Grohman / Especial CP
O advogado Mateus Marques, que representa o marido preso por suspeita de envolvimento na morte de Andressa Reinaldo Ellwanger Friedrich, na cidade de Canoas, deve ingressar na Justiça nesta quarta-feira com pedido para que ele preste novo interrogatório. A intenção de Marques é que o depoimento seja prestado com a presença dele, o que, conforme o defensor, foi negado anteriormente. “Mesmo que isso não vá influenciar em nada, porque o delegado provavelmente não vai mudar a opinião acerca do fato acontecido, nós vamos dar forma a esse procedimento chamado inquérito policial”, declarou.

A defesa questionou os meios utilizado pela polícia para colher o depoimento. “Ele foi conduzido até a delegacia de polícia. Prestou depoimento durante oito horas sem a presença de um advogado. O delegado dispensou essa possibilidade de ele ter um advogado. E essa circunstância causa, para toda a investigação, uma fragilidade muito grande”, apontou. Marques comentou ainda que o cliente “não planejou a morte. A motivação nunca foi buscando a morte dela”.

O homem, de 33 anos, foi preso pela Polícia Civil, entre a noite de segunda e a manhã desta terça-feira, além de outro homem suspeito de ter assassinado a corretora de seguros, de 25 anos. O crime ocorreu no último domingo, em Canoas, na na região Metropolitana. Ela morreu em frente à filha, de menos de dois anos.

Segundo a Polícia Civil, o marido da vítima confessou participação no crime durante depoimento. O outro preso preventivamente, de 21 anos,  pode ter sido contratado pelo marido da vítima, por R$ 10 mil, para executar o crime. A arma usada segue desaparecida. “Ele confessou que fez a contratação de terceiros que efetivassem o crime”, relatou o delegado regional de Canoas, Cristiano Alvarez.

A Polícia Civil ainda trabalha com a hipótese de que o suspeito tenha contratado outros dois homens para efetivar o crime, no bairro Olaria, no último domingo, quando Andressa foi baleada na cabeça. O suposto cúmplice já havia sido funcionário do investigado como mandante em uma mercearia, em Canoas, e foi namorado de uma prima da vítima.

Segundo a Polícia Civil, o marido argumentou que decidiu contratar a morte da mulher devido a disputas patrimoniais e brigas intensas do casal. Conforme a Polícia, ele havia recebido uma herança do pai, há pouco tempo, e Andressa pedia a separação. O assassinato teve o suposto objetivo de evitar a partilha desse valor. Além disso, a polícia ainda verifica a possibilidade de que ele seja o beneficiário do seguro de vida de Andressa.

“Desavenças familiares que eram intensas. O casal havia diversas vezes se separado. Havia também disputa sobre bens. Dizia que ela era uma pessoa bastante violenta. E a questão de valores que ela exigia em uma separação”, disse Alvarez. Durante entrevista coletiva, nessa manhã, os delegados envolvidos na investigação revelaram que o suspeito começou a admitir a participação no crime da mulher após mais de seis horas de depoimento.