Polícia

Advogado finge assalto e será indiciado por denunciação caluniosa

Jovem de 22 anos disse que crime tinha sido cometido por taxista

O advogado Luan Soares, de 22 anos, suposta vítima de um assalto que teria sido cometido por um taxista em Porto Alegre, será indiciado por denunciação caluniosa. A informação é do titular da 2ª Delegacia de Polícia, delegado César Carrion, que afirmou nesta sexta-feira que a história do crime é falsa. Conforme Carrion, a intenção de Soares era despertar solidariedade de familiares para obter ajuda financeira.

"Na realidade, nós desconfiamos da história desde o momento em que ele nos relatou um horário para o assalto e, em seguida, fez uma postagem em uma rede social, descrevendo o crime com um novo horário. Eu, particularmente, nunca tinha visto um taxista praticar um sequestro-relâmpago. Ele nos trouxe muitos detalhes que não tinham fundamento", relatou em entrevista ao site do Correio do Povo. 

Conforme o primeiro relato de Soares, no último dia 4 de outubro, ele saiu de um bar localizado na avenida Wenceslau Escobar e embarcou em um Siena. Durante a suposta corrida, ele avisou ao motorista que gostaria de parar perto de um banco para sacar dinheiro. Soares notou que o taxista fazia um trajeto diferente quando sentiu que uma arma foi apontada para sua cintura. "Ele nos disse que foi obrigado a sacar mais de R$ 1 mil, enquanto o taxista esperava no carro. Depois teria sido deixado na Vila Cruzeiro. O jovem até chegou a dar as iniciais da placa, mas nunca encontramos o táxi e o motorista", explicou Carrion   

Dez pessoas foram ouvidas


Durante a investigação, Carrion recorda que conversou com pelo menos 10 pessoas, além de taxistas que poderiam ajudar na busca do suposto assaltante. "Perdemos tempo e gastamos o dinheiro público com isso. Depois que encerramos a investigação, nessa quarta-feira, chamamos o Luan para confrontar os fatos com a sua versão", comentou o delegado. 

Ao expor os dados obtidos pela investigação, Soares entrou em contradição e acabou admitindo que forjou o assalto. "No dia do suposto assalto, ele na realidade estava entregando a filhinha dele para ex-mulher. Temos a filmagem dele chegando em um Peugeot às 19h45min. O Luan falou que estava no táxi às 18h30min, mas na verdade estava com a filha em casa", finalizou.

Carrion lamentou o ocorrido e disse que atualmente mais de 90% dos táxis contam com GPS, o que facilita a localização dos veículos. "O Luan não será preso, mas será indiciado. Ele provocou uma investigação infundada, o que se assemelha ao popular trote", acrescentou o delegado.