Um advogado suspeito de lavagem de dinheiro foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira em Passo Fundo, no Norte gaúcho. A medida ocorreu como desdobramento da Operação Barba Negra, deflagrada no dia 21 de maio pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS).
Detido em casa, com apoio da Polícia Civil, o advogado já foi encaminhado ao Presídio Regional de Passo Fundo. Ele estava em liberdade condicional, com tornozeleira eletrônica. De acordo com o coordenador do 7º Núcleo Regional do GAECO-Planalto, promotor Diego Pessi, responsável pelo pedido de prisão e pela operação, a medida teve como objetivo garantir a ordem pública e econômica, assegurar a conveniência da instrução criminal e garantir a aplicação da lei penal. Na casa e em um prédio do advogado, quando foram cumpridos os mandados judiciais no mês passado, foram apreendidos em dinheiro cerca de R$ 4,7 milhões.
A Operação Barba Negra investiga a apropriação indevida de valores provenientes de ações judiciais, com posterior ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos. Conforme informações do MPRS, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 40 milhões, envolvendo a constituição de empresas de fachada e a utilização de terceiros para ocultar os valores desviados.
As investigações seguem em andamento, por meio de análise de documentos e materiais apreendidos, além de depoimentos, com o objetivo de identificar mais delitos e aprofundar a análise das movimentações financeiras suspeitas.
O advogado foi condenado, em 2024, a 96 anos de prisão em regime fechado pelo crime de apropriação indébita. Os crimes que embasaram a condenação foram registrados entre 2007 e 2012, quando ele teria feito a captação de clientes de uma operadora telefônica para propor ações contra a empresa. O advogado teria embolsado a maior parte do dinheiro recebido com as ações. Ele não pode exercer a profissão desde 2015, por decisão da OAB.