Polícia

Alta velocidade, falta de cinto e defeitos na via: o que diz inquérito do acidente que matou três jovens em São Leopoldo

Vítimas de colisão na BR 116 eram soldados do 18º Batalhão de Infantaria

Carro bateu contra a mureta do viaduto central da rodovia, em São Leopoldo
Carro bateu contra a mureta do viaduto central da rodovia, em São Leopoldo Foto : Marcelo Brito / Reprodução / CP

A Polícia Civil apontou excesso de velocidade como a principal causa do acidente que matou três jovens soldados do Exército e deixou outros dois feridos na BR 116, em São Leopoldo, no dia 13 de agosto. Outros fatores que também influenciaram no desfecho da tragédia, foram os problemas na estrutura da via e o fato de apenas um dos militares ter utilizado cinto de segurança. As conclusões estão no inquérito da ocorrência, que ficou sob a responsabilidade da 2ª DP do município e foi concluído nessa segunda-feira.

O caso foi registrado como homicídio culposo da direção de veiculo automotor. Porém, como o motorista também foi uma das vítimas fatais, não houve indiciamentos. O depoimento dos sobreviventes, além das imagens das câmeras de segurança na região, corroboram que a velocidade do carro provocou a colisão.

“A causa do acidente foi excesso de velocidade. Isso resultou na perda de capacidade de condução, circunstância em que o motorista perdeu o controle em uma cursa e o veículo colidiu contra a mureta de um viaduto”, pontuou o delegado André Serrão, titular da 2ª DP de São Leopoldo.

O laudo toxicológico do Instituto-Geral de Perícias (IGP) não detectou a presença de álcool nem de qualquer outra substância que pudesse alterar a capacidade de dirigir do motorista. Por outro lado, as análises periciais indicaram que mureta lateral do viaduto, onde o veículo colidiu, apresentava uma extremidade em ângulo reto e não possuía qualquer tipo de proteção metálica.

“Especialistas apontam que, se a mureta tivesse um design diferente, como um ângulo mais suave ou com uma proteção adequada, os danos e as lesões poderiam ter sido significativamente menores”, destacou André Serrão.

Ainda segundo o delegado, a maioria dos ocupantes do veículo, incluindo o condutor, não utilizavam o cinto de segurança no momento da colisão. Apenas um dos passageiros, que estava no banco dianteiro direito, tinha o dispositivo afivelado.

“A ausência do uso desse equipamento de segurança foi um fator que agravou severamente as lesões e as chances de sobrevivência das vítimas”, avaliou o titular da 2ª DP de São Leopoldo.

Relembre o acidente

O acidente ocorreu por volta das 3h45min, quando os soldados estavam em deslocamento para a cerimônia de passagem de comando do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre. Antes da Capital, eles ainda deveriam parar no 18º Batalhão de Infantaria, em Sapucaia do Sul, onde atuavam. Os jovens estavam atrasados para o compromisso.

De acordo com o Exército, os militares poderiam ter pernoitado no quartel, como geralmente ocorre antes de solenidades do tipo. A instituição disse que os cinco, no entanto, escolheram dormir em casa e retornar na madrugada.

Morreram no acidente Eduardo Hoffmeister, de 19 anos, motorista do carro, Davi Adrian da Silva, de 18 anos, e Vitor Golfetto, de 19 anos. Já Leopoldo dos Santos Staudt e Jailson dos Santos Gomes, ambos de 19 anos, foram hospitalizados e receberam alta após cerca de três semanas.

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