Polícia

Alvo de triplo homicídio em bar na zona Norte de Porto Alegre era cunhado de traficante, diz Polícia

Quinze pessoas foram presas na Operação Ícaro

Da esquerda p/direita: delegados Thiago Lacerda, Patrícia Tolotti Rodrigues, Mario Souza e Thiago Zaidan
Da esquerda p/direita: delegados Thiago Lacerda, Patrícia Tolotti Rodrigues, Mario Souza e Thiago Zaidan Foto : Marcel Horowitz / CP

Somente um dos três mortos no ataque a tiros em 5 de junho na zona Norte de Porto Alegre era alvo do atentado, segundo a Polícia Civil. A informação foi divulgada em coletiva nesta quinta-feira, após a Operação Ícaro, que teve como alvo a facção que autorizou o crime. Quinze pessoas foram presas.

O triplo homicídio ocorreu na rua Geraldina Batista, na Vila Santa Maria, no bairro Costa e Silva. Na ocasião, dois atiradores alvejaram com pistolas os clientes do bar Pedalinhos, enquanto outros dois comparsas, também armados, vigiavam o entorno. Eles fugiram em um carro.

Maria Eduarda Machado e Thiago Battisti, ambos de 18 anos, morreram no local. Fábio Alexandre, de 40 anos, morreu pouco depois, no Hospital Cristo Redentor. Outro homem, de 31 anos, também foi baleado, mas sobreviveu.

De acordo com informações do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), o homem que morreu hospitalizado seria o principal alvo dos atiradores. Ele era cunhado do traficante de apelido Sadol, que é considerado líder do tráfico na Vila Santa Maria e que, desde 28 de novembro de 2024, está recolhido no Sistema Penitenciário Federal.

O diretor do DHPP, delegado Mario Souza, diz que os dois jovens morreram somente por estarem na hora e lugar errados. Também adiciona que a quadrilha responsável foi alvo do Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. “A operação concretiza a quinta medida do protocolo, que prevê ações contra executores, mandantes e líderes de facção. Em outras palavras, responsabilizamos toda a organização criminosa.”

A ofensiva ocorreu em conjunto com Brigada Militar. Ainda contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Departamento de Aviação da Polícia Civil, por meio de helicóptero.

Entenda a motivação do crime

Conforme a 3ª Delegacia de Homicídios, que coordenou a investigação, o ataque no bar Pedalinhos ocorreu após Douglas Trancoso, o Dodô, ter mudado de facção. Isso porque, segundo apuração policial, ele morava na Vila Santa Maria e integrava a facção Bala na Cara, mas foi expulso após divergências relacionadas aos lucros do tráfico. Depois disso, teria repassado informações de ex-aliados para rivais da gangue Família do Sul, apontada como responsável do atentado. Acabou sendo morto a tiros em 11 de junho, na rua Doutor Raul Moreira, no bairro Cristal.

O delegado titular Thiago Zaidan explicou que o nome da operação foi inspirado na traição de Dodô. “Ícaro é um personagem da mitologia grega que morreu por conta de sua ambição. O que é uma referência a um dos executores do crime. Buscando ascensão no novo grupo criminoso, ele planejou e executou triplo homicídio, sendo assassinado poucos dias depois do fato.”

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